quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

CONVERSAR COM O MENINO



Posso dizer ao menino não cresça e permaneça estático
que as horas vindouras são más em destruições e mortes:
o menino responderia que a morte o alcançará criatura
em brincadeiras e aprendizados: posso dizer ao menino ser
indesejável o modo como se tornará utilitário: o menino 
responderia aceitar o risco se souber das finalidades: posso 
dizer ao menino ser a finalidade o oposto da liberdade
e respostas simétricas sobre a mesa absorvidas 
em fomes aborrecidas e em sedes não saciadas: o menino 
responderia serem as formas avessas do destino brincadeiras
em cada manhã não assoberbada de afazeres: digo
ao menino não fugir da altura imposta ao salto
e permanecer sobre as pedras onde o concreto
substitui o sonho e ao sono não é permitido acordar
risonho: asseveraria o menino sobre misérias e mistérios
no desconhecido traçado dos anos passados em progressos: 
ao menino conto verdades aleatórias e mentiras 
mensuradas em trajetos: o menino não saberia me dizer
da infância incorrigível em papéis de balas e da parafernália
do seu mundo obtuso reformulado em lógicas matemáticas:
o menino não aceitaria a minha palavra de fiança
e garantia e quereria a vida como prova da vivacidade
a demonstrar em gestos a vaidade do pássaro em vôo
além da irresponsabilidade da formiga em marcha: sobre
a morte diria o menino ardem segredos sem norte 
e hodiernos transportes iludem as paisagens 
e o desdobrar do barco na água repete 
a passagem: ao menino não caberia 
a responsabilidade pelo crescimento em sobriedade
que à seriedade se transfiguram monstros
nas cavernas da memória: sobre afeições 
diria o menino repousam ácidas questões 
irrespondíveis e das raridades são ouvidos 
rasgos de coragem: a coragem grito eu ao menino 
requer discursos e estratégias que ao medo sobram táticas
e explicações: sim balbuciaria o menino cansado do trajeto
na curta instância entre medos impostos em cada reprimenda 
na equiparação das partes e pequeno e menino se declararia
em paz com as oferendas: nas oferendas
vejo o menino traduzido em luzes inescapáveis 
no distanciamento: aos dias faltam espaços preenchidos
com bondades e aos adultos restam noites vazias
de utilidades: somos úteis e aos meninos
se oferecem liberdades completadas no fechamento
anterior do espaço: todo percurso é o soçobrar
do barco: das águas finalizaria o menino surgem desconfortos
em cansaços e a insegura sensação da imobilidade: o flutuar
do menino adormecido é o maior pecado.

(Pedro Du Bois, A NECESSÁRIA PARTIDA, volume II, edição do autor)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RUDIMENTOS


O corpo tosco, ideológico, cheira
à bebida barata do bar da esquina,
o olhar inerte sobre a toalha: a lembrança
é mortalha do intelecto no caminho
percorrido ao alongar o físico;
o contato contamina o destino
e nos ouvidos se rebelam sons inaudíveis;
repete o gesto com que bebe o líquido
nas vezes despretensiosas da saudade;
reafirma ao homem da outra mesa a incerteza
do sobreviver: ideológico, destila o humor
esbranquiçado da verdade: o homem
ao lado bebe ao santo de todos os sábados.

(Pedro Du Bois, RUDIMENTOS, I, edição do autor)







segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O QUE DEVE SER FEITO


Tudo o que quer fazer
nas horas ímpares
deixa para depois
do tempo concentrado
em preocupações maiores

o início traz notícias
sobre permanências
dispensadas em asas
de pássaros concebidos
em ninhos destruídos pela chuva

na chegada
arrasta a cadeira
onde senta e olha

suas vontades
trazidas em destinos
frágeis de terminações
afora amores filiais
descrentes do que guarda

vastas camadas florais
de perfumes significados
atraem antecipações
mordazes de comentários
orientados em suspensões

repletas vidas se completam
em voltas descontadas
nas distâncias ocorridas
entre vidas ouvidas
em audiências objetivadas
de governanças e participações

tudo feito em dias
úteis de salários
e comparações
exemplares de sonhos

visões irrepreensíveis
de cabeças abertas
em sensores decorridos
de espionagens
e prêmios ofertados

o andar do objeto
identificado nos que ficam
sobre terras enxutas
e nada é poupado
ao sofrimento mantido
na coragem das perguntas

o fazer não idiotiza
relações irresponsáveis
nos lazeres descritos
em prazeres baratos

rasgada roupa assoma
o corpo mentiroso das torturas
no arrancar peles onde
passam unhas avassaladoras

quer refazer a dor
duvidando da integridade
com que se apresentam
rostos restritos
na contrição das mãos

destroços recolhidos
em restos plásticos
do todo fragmentado
na dúvida em que
repete gestos
suspeitos na noite

hora de afastamentos
traduzem inquietações
nas liberações: sonos recuperam
corpos esquecidos nas condições
sensíveis das experiências
prometidas das demoras

rumo bifurcado
na procura das faltas
acobertadas no que não sabe

suposições indiciam
ocasiões espertas onde
o passado desnorteado
é tragédia anunciada
em afastamentos: o restante
feito quando possível.

(Pedro Du Bois, POETA EM OBRAS, Volume I, edição do autor)

domingo, 27 de dezembro de 2015

A MORTE INSANA

Não vê a morte violenta
pedra na fragmentação da bomba
no tiro desfechado na flecha
da palavra dita em mentira

presente ouve o sibilar
do dardo no bote da serpente
a traição do ausente.
A morte não avistada estrela
nua na escura espera
de contratempos: pedra arremessada
o ódio concentrado transborda.
A morte estreita passagem do frio
sobre o corpo no fim onde a lembrança
se instala: longe tiros trocam vidas.

(Pedro Du Bois, em A AUSÊNCIA INCONSENTIDA, edição do autor, 2005)

Modus vivendi

Outros, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2015/12/outros

sábado, 26 de dezembro de 2015

SOBRE A TEMPORALIDADE


Passado ano
quando nos encontramos
e dissemos saber do futuro

ciganas espertas
leram nossa sorte e nos mantiveram
ansiosos em traços manuais

a descoberta de que o passado
presenteia o futuro

em anos ultrapassados
nos dissemos cientes do futuro

quando percebemos que iríamos nos separar:

encontros cancelados em trabalhos
e realizações: desencontros em sinais
trocados: contar os dias
  
fazer de conta que lembramos

em anos atrasados nos dissemos
futurísticos seres dos amanheceres

estátuas em sais: amargamos
sermos nossos destinos

quando da decisão inócua
imagens retornam em sonhos

quando não lembramos os sonhos
somos vazios em indiferenças

anos atravessam passados movediços
e nos depositam na solidão da casa

vislumbramos ser o futuro
gesto desmedido da saudade.

(Pedro Du Bois, A NECESSÁRIA PARTIDA, volume I, edição do autor)

domingo, 20 de dezembro de 2015

Blocos Online

Preferir, em:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=poeregistra/2015/pr150902.php&tipo=poesia

RECONSTRUÇÃO

No envelhecimento reconstruo a vida
e a sirvo em lamentos remanescentes

não quero reviver em lembranças
momentos presentes. A cena deprimente
restabelece o nexo aprofundado
em desejos: esquecimentos

refeito em cena recomeço a exibição
dos tormentos desfiados em palavras
nos gestos consentidos pelo corpo

na reconstrução sinto falta dos elementos
com que filtrava outrora os sentimentos.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

meiotom poesia&prosa

Tácito, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo15tacito.htm

RESPOSTAS

Ao ser perguntado
respondo isento
de responsabilidade
sobre a água
              sabonete
                  escova
                     pasta de dentes
(o creme rejuvenesce a pele)
                       toalha comum
                                    talco
                                     perfume

a limpeza externa
eleva o corpo no sublimar
da propaganda

nada respondo sob aspectos
interiores: não refletidos
                 nas vitrines.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Almanaque Gaúcho - Jornal Zero Hora

16.12.2015, Página 44:

TÁCITO

Acordo: faço-me desconhecido
ao amigo: sofro suas dores: retorno
ao ponto inicial no me dizer ávido
em consolos: reencontro palavras
ao negar o confronto: acordos
não escritos perduram silêncios.

(Pedro Du Bois, inédito)

Vale em Versos

Guerras, em:
http://valeemversos.blogspot.com.br/2015/12/guerras.html

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

VOCÊS TODOS

tenho em você
              vocês
              vocês todos

o suave desengano
onde encontro
         verdades
         de fatos
         antepostos
         no movimento
         inercial
         dos regressos

volto a face ao ocaso
e o acaso me enlaça
em descobertas: alinho
o corpo no instante
e me delicio na vida
desproporcionada

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 13 de dezembro de 2015

Revista Poética Brasileira

página 3:

CAMINHO

poluído
assoreado
ressecado em partes
               desabitadas

meus rios permanecem

repouso os pés
              (cansados)

faço minhas estradas
em restritos caminhos
espalhados pelo corpo
em planícies contidas
na aceleração de planaltos
                         e gargantas

o som do rio
em placidez conta
do não regresso
na renovação da água

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

TÂNIA na leitura de Waldemar José Solha


Pedro, Tânia,

Acabo de ler a bela série de poemas criada pelo amor entre vocês. Do total de versos grifados me resultou um dos mais altos cantos de um homem a uma mulher:

Trazes no corpo
Emoldurado espírito.
Trazes no íntimo a luz
E a chama.
Iluminas e queimas trajetórias: levas
O incêndio ao clarão da rua. Agitas
O silêncio.
Ao passado concedes
A tentativa de ser permanência.
Sabes sair
E chegar: ouvir e escutar
E falar.
Transtornas
A irrealidade
Em fato consumado.
Sabes.
Sabes discernir o certo e o escuro.
Determinada em acontecimentos
Não diriges a obra. Deixas que seja
Construída ao sabor
Do vento
No relento.
Consomes o interesse
E o frio,
És a improbabilidade
Da ausência,
E o esforço
Desconcerta o alvoroço
Com que te quero.
O tom te eleva
Ao infinito
E o horizonte
Recoloca palavras
Em tua boca.
Trazes a filha
Que traz as filhas.
Na totalidade em que te divides
Demonstras o azul e o verde
O céu e o mar
A água.
És o todo
O pouco
A parte.
És partida
E a permanência grita teu nome.

Almanaque Gaúcho - jornal Zero Hora

ARCABOUÇO

Arcabouço construído: aos poucos
surge ereta construção tomando espaços
colhidos de ares desabitados. Ângulos
concretados escondem em paredes
o lado da espera. O inseto invade
o íntimo e se revela em voo. Nervosismo
na vida emparedada. Do arcabouço
original resta a ideia: aos poucos 
ressecam cinzas.

(Pedro Du Bois, no Almanaque Gaúcho, página 52 
 do jornal Zero Hora, Porto Alegre, RS, em 10.12.2015).
1

Letras et cetera

Esforço, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2015/12/esforco.html

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A História Vivida

Vistas, em:
http://ahistoriavivida.blogspot.com.br/2015/12/vistas.html

ENTENDER

para entender
o fato
o ato
a intenção
   na repercussão

tenho de me fazer tolo
repartido na cena
resfolegante da subida
e no afogamento

tenho em mãos razões
para os motivos
despercebidos
na ansiedade

o quadro na parede
reflete a paisagem
em que sou nada

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

PRONTO

outro dia
pronto ao destino

na sombra da noite
dorme o passado

aniquilado corpo
sacode incertezas
e reza deuses
recém criados

a vingança
na sanha assassina
de repetir verbos
embalados na face
diante do espelho

imagem irrefletida
do primeiro dia

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

NASCERES

Não foi desta terra
                      parido
                      filho
                      na ingratidão da lembrança
                                                      da dor
                                                      do parto

                    reparte os bens materializados
                    entre filhos no atavismo
                    pueril dos reencontros

                                     a terra desconhece o corpo
                                     em destacado formato
                                     e o decompõe aos poucos
                                     em outras formas

                    é desta terra o regurgitar
                    dos elementos no tormento
                    não declarado no nascimento.

(Pedro Du Bois, inédito)
                                   

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

ORIGEM

origem
lembrada
(infinidade de fracassos)
trajetória elíptica
maneira simplificada
composta em objeto
único
uno
na indivisibilidade
entre corpo e espírito
onde sobrevivo
no curto espaço (tempo)
travestido em matéria
de esquecida origem
dispersada na futura
administração do passado
como fardo

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

TÂNIA, por Eric Ponty

O livro Tânia de Pedro Du Bois é como um só poema dividido em outros poemas que nos descreve à sua musa. Em sua lírica Pedro Du Bois fotografa os fatos com palavras imersas na poesia. São detalhes totais em versos mínimos como alguém que aprendeu o uso da ferramenta poética.

Sua Tânia é titânica em sua visão poética, que nos faz leitor na construção dessa massa de mármore vivo que é a sua musa. Pedro Du Bois fotografa os fatos com palavras construindo sua arte com o cinzel que é a visão poética.

Sabedor e acolhedor de detalhes constrói seu livro com requintada maestria colocando-nos à margem de interrogações outras demonstrando porque o nome Tânia não pode virar diminutivo pela perda da sua força. É isso que o poeta nos dá em seu livro. O cinzel que é a visão poética do mundo.
Eric Ponty

Passado / Past

PASSADO                                   PAST

do que está escrito                     from what is written
não apaga vírgula                      don't change a letter
do que é dito                               from what is said
não recolhe palavra                   don't take a word
do que é visto                             from what is seen
na visão permanece                   on the sight remains
do que é pensado                        from what is thought
não torna público                       don't become public
do que é doído                             from what is hurten
não cura a parte                          not a piece is cured
do que é violentado                    from what is raped
não arrefece a sanha                  don't satisfie the rage
do que é mandado                      from what is ordered
tem a cabeça do inimigo            has the enemy's head
do que é restrito                          from what is limited
não apresenta provas                 there are no proofs
de quem é amigo                        from who is a friend
não remove a face                      don't remove the face

(Pedro Du Bois, inédito)                                    (Pedro Du Bois, unpublished)
                                                                               (em Inglês, Marina Du Bois)

PASSADO

do que está escrito
não apaga vírgula
do que é dito
não recolhe palavra
do que é visto
na visão permanece
do que é pensado
não torna público
do que é doído
não cura a parte
do que é violentado
não arrefece a sanha
do que é mandado
tem a cabeça do inimigo
do que é restrito
não apresenta provas
de quem é amigo
não remove a face

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 28 de novembro de 2015

SER

sou parte da lembrança
uso imagens remanescentes
nos ditos apropriados sub-repticiamente
da terra natal materializada em noites insones

meus prédios não merecem
citações eruditas de estilos
construídos no êxtase
das explosões ameríndias
atravessadas em europeias
certezas de descobrimentos

minha visão perde a grandeza
na escala intercalada em apertadas
vistas onde revejo antigos caminhos
em estradas desproporcionais ao mito

minha vez de partir se faz opaca
deslembrança dos motivos
na razão mesquinha
do abandono da esperança
em permanecer sob as mesmas árvores

meu sentido de direção obliterado
nas confusões de jovens iletrados
na busca incessante da afirmação
constante de se dizerem ocupados

mais do que a incerteza o medo aliado
ao senso inoportuno das aventuras
de personagem em sonhos desassistidos

meu refrão infantil se repete
enquanto jovem
enquanto homem
enquanto velho

meu torrão alcandorado em versos
de homenagem ressurge agosto
desprovido de sentidos na origem
do desassossego no apertar
o cerco e me dispor a não ouvir
os gritos ansiosos dos que retornam

minha história em inconstantes
visitas onde a rapidez é o temor
de ser alcançado pelas imagens
através do que resta na memória

minha alvorada ainda aberta em músicas
despovoadas de personagens onde substituo
o existente pelo sonho e o misturo
na realidade estanque dos delírios

altero os ponteiros e o relógio mente
a inexistência dos que me acompanham

meu sofrimento anteposto ao esquecimento
onde em folhas de antigos jornais
descubro passagens nas paragens
das mortes prematuras

meus incansáveis motivos adulterados
em cafés requentados com açucarados
doces dispensados entre refeições
mesquinhas dos desencontros

minha razão entre sorrisos
em cada esquina
é personagem
maior da caminhada
em presentes eventos
sistemáticos da lembrança

sou dúctil canal intercomunicante
em olhares escancarados de bondades
resguardadas ao futuro

meu prazer apresentado ao verde
fruto colhido enquanto possível
ser recolhido no cesto da amizade

meu desconforto na meia idade
avança célere ao tormento
inigualável da velhice

meu acelerado passado descompassa
a destruição com que a volta
pode ser construída

ao sabor do vento o céu crispado
em cinzas de nuvens intercaladas
aos cheiros naturais do ambiente
em chuvas torrenciais de boqueirões
aberto em passagens

minha vez de reportar
nas esquinas a espera da volta
dos anônimos conhecidos
dos primeiros tempos

minha ansiedade não reconhece
na evocação das faces reflexos
refletidos nas mãos de corpos
famintos em reencontros fortuitos
de tempos não programados

sei da notícia no repassar o texto
primeiro surgido junto ao vidro
da janela do carro em disparada

minha solidão reencontrada
na casa destruída em construções
maiores de tantos andares

minha incorreta apreciação do tema
confunde o sentimento de estar
na insensibilidade da indiferença
com que cumprimento secamente
pessoas com quem me encontro

além do estado primitivo
animais buscam
se concentrarem
em bandos
de ataque
e defesa

meu incorreto modo de chegar perto
e dizer bom dia boa tarde boa noite
no receber o sorriso bem-vindo
da esperança pelo reconhecimento

meu atordoado rio desaparecido
na profundeza da intempérie
em sujeiras que o assorearam

tenho a sensação das ideias avessas
das conquistas versadas em ritmos
descompassados de espíritos aleatórios

meu atraso denuncia a falta de vontade
para encontrar o rumo o prumo e a razão
desfeita em sonhos ainda jovens

minha consciência educada na ética
corrosiva da prática na verdade

meu erro na fraqueza
com que o corpo se destrói
em instantes e o fulgor
renasce no momento da verdade

meu intocado espírito alonga
a alma em sonatas deploráveis
no final da noite: meu amigos
insubstituíveis esmaecem
na distância imposta pela vida
com que nos acostumamos

fomos tresloucados jovens
desacompanhados da ira
no entender a possibilidade
de não perdermos a vida
na armadilha das entrelinhas

minhas entregas em séries numeradas
alinham a disposição física no objeto
(re)apresentado ao contexto

minha suficiência arrestada
aos porões da inconsequência
de onde observo a linha do horizonte
se desfazer em horas utópicas de finitude

meu arrebatamento acolhido
em páginas amarelas de revistas
descompromissadas: o que pude ser
no tempo utilizado para a permanência

em cada tempo acordo o corpo
ao escutar sons dos momentos
inenarráveis de onde estou
e a eles me entrego: estou feito
e encontrarei
o final da história
descontada dos segredos
desvelados no terminar
com que jornadas
se estendem e se repetem
em tempos contemporâneos

(Pedro Du Bois, inédito)





quinta-feira, 26 de novembro de 2015

RECONHECER

Não me reconheço na inteireza do gesto
desdobrado além do alcance: alço a arma
          e o estampido ensurdece o pássaro:
no desconhecido instante dos arremates
cedo o compasso ao irmão menor: sigo
o poente aonde a perseguição diária
me leva ao final dos dias: acidentes
obstam a fala: o calar inviabiliza
o restante da coragem em fatias:
hoje em desconhecido corpo
prezo o espírito libertário
em enganos e travessas horas
de alegria: o gesto detém
o instante no momento
do reconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

MEDO

Olho a cena
vejo o corpo
tenho medo
do encontro
com a morte
no desencontro
pela vida

revejo os olhos assustados do adulto
           e tenho medo. Em atávico gesto
           desprendo as mãos e fujo

o medo paralisa os sentimentos. Imprime
pressa ao tempo: conservo abertos
os olhos despossuídos da razão
(o medo me alcança e consome).

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 22 de novembro de 2015

AVESSO

avesso ao tempo
conservo o medo
anterior do mundo
assustador das sombras

     reconheço cada entalhe
     na mortalha: recolho
     o pano desprezado
     junto à pedra

o medo remediado
consome a chama

atravesso a hora derradeira
entre razões: lógicas destituídas
do firmamento concentrado
na escuridão do quarto

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

AMIGOS

Ouça
   amigo
   tambores rufam
   em distâncias
              aproximadas
              sinta o tremor
              em pesados passos

aos amigos cabem os reforços
desnecessários das proteções:
                      esconda no verso o rito
                      maléfico dos sacrifícios

tambores destemperam
o modo do apaixonamento
refeito em sons anárquicos
no vivenciar (adocicado)
                        do silêncio.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A História Vivida

Desejos, em:
http://ahistoriavivida.blogspot.com.br/2015/11/desejos.html

DESTERRO

Não é minha terra Aéreo
transito mares Desconsidero
a ancestralidade Órfão na recusa
de gestos posteriores reafirmo
a crença no destino No outono
recolho folhas caídas Refaço
cálculos Reescrevo palavras
Nada se abre em mistérios
não preenchidos de saudade
Carrego a alça do caixão
Tenho amigos corajosos
em sobrevidas Atraso
o relógio na reação tardia
dos embustes com que adianto
manobras ao infortúnio desterrado
no que resta ao repetir o pranto

(Pedro Du Bois, inédito)

Estudo Geral

3 poemas, em:
http://luis-eg.blogspot.com.br/2015/11/pedro-du-bois-tres-poemas.html

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

TriploV Blog

Alvos, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2015/11/16/poema/

RAZÕES

Razão obscura onde repousam sonhos
desprovidos de razões obscuras
repisados em sonos
escondidos de razões obscuras
sugeridas nos avanços
desprezados por razões obscuras
para direções primeiras
avançadas em razões obscuras
das chuvas ácidas
em razões nem tão obscuras
nas extensões maiores
em razões amanhecidas
de sinos balados em horas
aferidas em razões amanhecidas
de levantar e ir embora
construídas em razões amanhecidas
de pães sobre a mesa
destituída de razões amanhecidas
em estratificados signos
de razões quase amanhecidas
na ilusão simplória dos enganos
atravessados em naves de razões midiáticas
desaforadas no verbo de confusões feéricas
de ódios em razões midiáticas
de assaltantes pulando muros
no circular os olhos em razões midiáticas
sobre o ouro descoberto ao acaso
na sorte desprovida de razões tardias
onde sentimentos afloram
em folhagens das razões tardias
nos reparos efetuados
por mãos calejadas de razões tardias
no encerramento do tédio
em porões de razões noturnas
afiguradas nos santos embarrados
no toque sutil das razões noturnas
na efêmera maneira de reformar deuses
acabados sempre em razões noturnas.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 14 de novembro de 2015

meiotom poesia&prosa

Alvo, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo15alvo.htm

EXPOR

conheço o exposto
faço cópias em lugares
onde o mistério transparece

luzes iluminam muros
na defesa inicial da superfície

no interior o aguardado
não aflora em discussões
e o gesto se recusa ao abraço

reforço a imagem aditada
da passagem no elemento
inóspito das descobertas

anunciações cabalísticas desfeitas
em conflitos não acobertados

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CERTEZAS

não trago certezas
sobre o futuro destilo dúvidas
amenizadas na razão
com que pobres de espírito
não se conformam
com certezas terrenas
e entregam suas vidas
ao milagre da impropriedade

(conformado) resisto ao amargo
da desconformidade e digo
da saudade futura: o retorno
amplia arcos desfeitos
em brumas de (re)começos

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Modus vivendi

Alvos, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2015/11/alvos

meiotom poesia&prosa

Viver, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo15barulho.htm

ILUSÕES

na ilusão posto ato
incontroverso
       atravesso anos
verdes do crescimento
amadurecido no tédio
das verdades: refaço
cálculos em políticas
promessas da hora
no estertor iluminado
em que a aurora
se transmuda na manhã
do dia apurado no sentido
com que o acordar se repete:
ilusões principiam na continuação
aposta em madrepérolas
tardias de aborrecimentos: sangue
fluído na missão endógena do mito
transbordado na derrota: iludido
regresso em noites conformadas.

(Pedro Du Bois, inédito)
  

domingo, 8 de novembro de 2015

VISÕES

Recebe a visão
e não se assusta

o todo é o pouco
demonstrado
na inteira parte
de quase nada

o nada é resolução
afeita ao ponto de vista
onde sequências
se bifurcam
e de todos os lados
surgem horizontes

a visão abarca a transferência
entre caminhos no andar lento
da inconsequência nas incertezas
demonstradas em olhares

o que vê resulta na dúvida
de que o todo e o nada
sejam entre caminhos
irresolutos modos

de perdição.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

LIVRE

Como ser livre
no abandono:

retorno ao seio desconhecido
amante em mim espalho o sangue
em artérias movimentadas de noites
anunciadas nas segundas vezes

recolho no úmido sereno
a secura em entranhas de vidas 
receosas dos encontros

na liberdade segrego vias
enredadas na descoberta.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

sábado, 31 de outubro de 2015

MURO

no muro escrevo
escorro a tinta
em auxílio ao espaço
defendido em pedras

a pedra insensível
cimenta passagens
naturais de ontem

a tinta garatujada arremessa
o tempo contra o muro
que permanece

(Pedro Du Bois, inédito)



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

ONDE

para onde levam a sua vida
que a vida está
onde quer que esteja
não se preocupe
em qual margem do rio
pode estar
há o rio entre margens
se uma das margens não é bastante
há outra para ser tentada
não se preocupe em dar coisas ao filho
ao filho cabe estar consigo: deles
das margens e da vida
(de todo o pouco
 e do pouco
           tudo)
há o bastante
para a caminhada

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 25 de outubro de 2015

MOSCA MORTA

em volta a mosca morta
reflui suas asas ao acaso

não interessa o voo
sobre águas claras
nem o destino cruel
da transformação
da larva em espécie

o imobilismo traduz a hora
em estigma e desonra

a mosca morta remete a cena
ao começo do teor do extrato

o contrato na vida
entre o voo e a morte

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Leonardo Sodré

Passos, em:
http://www.leonardosodre.com/2015/10/passos.html

MUDANÇAS

na alternância
a saliência áspera
das disputas bifurcadas
em reentrâncias paralelas

assimétricas barras
na repetição dos gestos
desesperam trajetos

na similitude olhos
encontram a ética
no contra-fogo ácido
dos reinícios

alternâncias envolvem
atos sucessivos
na contrariedade
das disputas

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ATRIBUIR NOME

No nome atribuído esquece o significado
e o apelida com outro nome desigual

degrau estabelecido na comparação
indiferente ao objeto desconhecido
sob a nominação anunciada

diz do nome: nada sobre consistência
forma e volume: desconhece a pureza
e acrescenta - qualidade - a desigualdade
proveniente da comparação inerente
ao nome distribuído no círculo
vaidoso do detalhe decomposto.

(Pedro Du Bois, inédito)




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Modus vivendi

Passos, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2015/10/passos

REDUZIR

Reduz o conceito ao último estame
da planta morta em desconhecimentos:
                  suas mãos respiram o aroma
                  no fim absorto das abstrações

afasta o corpo em ângulos
no visualizar imagens recônditas
                            do que esquece

reduz o instante no afagar o corpo
dispensando os olhos aos sentidos
deixados nas mãos do esquecido
exercício em se dizer presente

na finalização reproduz dizeres
da última página no antegozo
                   do esquecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 17 de outubro de 2015

Livro Tânia - Lançamento


Livrarias Curitiba

Iguais, em:
http://www.livrariascuritiba.com.br/iguais-aut-catarinense-lv336148/p

ABSORÇÃO

Absorvo da queda
o sopro
irresistível
das trapaças: tropeço
                      ante o nome
                      revelado:

            o absorvido sopro
            se espalha em hordas

ondas: anônimos personagens
desperdiçados em livros
de chamada absorvem
o todo em outro
nada: aos nomes
cabem representações
estéticas no estender
do corpo o que lhe cabe.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

TEMPOS

Tempos desprovidos da sensação
angustiante dos relógios de horas
minutos e recordes: tempo
necessário à ultrapassagem
das sensações repetidas
em que nos reconhecemos
e dizemos bom dia

repletos em claros
                         escuros
                         regulam a fome
                                    e o sono

a paixão é ardor adormecido
com que velhos se recolhem
em tempos de saudades

sem a opressão dos instantes
obrigatórios de atenção: tensão
marcada em passos adicionados

livre da dedicação consequente
nos ataques desconstruídos do tempo
necessário ao reordenar a vida.

(Pedro Du Bois, inédito)