sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO


LUZES

Nas luzes apagadas
surgem as dúvidas
que nos acompanham
pela vida

entre paredes escuras
a solidão penetra
e marca o que não
tem resposta

quando a reflexão
reflui na tormenta
e o tempo suspenso
recria a realidade

tudo retorna
nas luzes acesas
que conduzem ao lugar
e ao tempo os sonhos
não permitidos.

(Pedro Du Bois, inédito)



quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

VOCÊ

É quem poderia vir
     no início do caminho
     em tempos de disposição

é quem chega atrasada
em tempo de desencontros
e indisposições

é quem passa pela vida
na hora errada do tempo
tardio em reconhecimento

é quem carrega o sentido
da ausência  na memória
e seu corpo ondulante
não reconhece meu caminho.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

SALTOS

No primeiro salto
                     susto
quando volta a saltar
                         tédio
no último salto
nada lhe assalta
              a memória

salteados fatos
desconexos

   versões
   verões
inversões da matéria.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 15 de dezembro de 2018

NOITES

Noites não são justas
do que se alimentam

jovens incautos
velhos exaustos
seres sós

antepasto
principal
resistência
sobremesa
licor
café

noites são injustas
no que se alimentam.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

TriploV Blog

Hábitos, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2018/12/13/poema-habitos/

IMPENETRÁVEIS

Amores (a)guardados
sobreviventes em armários
de ritos fechados aos leigos
na extrema unção do condenado

no fundo dos sentidos
sentimentos amortecidos
se aprontam para outro encontro
na esperança da libertação

novos contatos físicos
e os olhos
       (sempre os olhos)
       impenetráveis.

(Pedro Du Bois, inédito)


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

TERRA

Esquecemos a terra
tornados sedentários
esquecemos os ciclos
tornados urbanos
esquecemos a natureza
tornados civilizados
esquecemos a liberdade

a terra cobra o seu preço
e a água impõe o seu gosto
e ficamos presos em países
aprisionados por governos
restritos em fronteiras

cárceres privados em dinheiro
e coisas e porcarias: artificializamos
o tempo na busca interior
dos primeiros momentos

certeza de estarmos trancados
e que não podemos fugir
ao desatino comum.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 9 de dezembro de 2018

SOMBRAS

Luzes iluminam
sombras acompanhantes

longe as luzes
são sombras esmaecentes
em nossa volta no olhar
desconfiado do porteiro
e no viés atravessado do cão
perambulando calçadas

perto as luzes
são apenas sombras
em nossa companhia.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

FLORESCER

Quando floresce
a noite em escuro
mundo de revelações

espíritos em corpos
corpos em espíritos

luzes artificiais iluminam
transformações: quando
anoitece florescem
escuras reações
mundanas.

(Pedro Du Bois, inédito)


Modus vivendi

Imagem & Reflexo, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2018/12/imagem_reflexo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

HISTÓRIA

Sem princípio
nossa história
se eterniza

nos giros do planeta
que acolhe e seduz

(sempre estivemos aqui?)

nesta estadia perene
de ciclos irregulares

quantos - ainda - estarão
por aqui?

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

SENTIR

Recebe o afeto
são sinceras as palavras
      gentis os gestos

percebe o sorriso
são macias as mãos
      cálido o hálito

sente a aproximação
é quente o corpo
   molhado o beijo

escuta o coração
que nada diz além
do que o corpo
oferece: e basta.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

QUERER

Quero o avanço
no travado caminho
sem estrelas

quero o começo
em trevas e nuvens
sem sóis

quero o que mereço
do turvo líquido
sem ais

quero o que me apetece
entre a estúpida fúria
e o caos

quero além da tormenta
a calmaria precedente
sem o cais.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 25 de novembro de 2018

DÍVIDAS

Nossas contas de chegar
não empatam as dívidas
feitas no transcorrer da vida

fazem com que não consigamos
ganhar em cada nova proposta
ao banqueiro de sempre

incontáveis: nossos déficits se multiplicam
miseráveis: nossos créditos nos dignificam

heróis da marginalidade financeira
super heróis da margem econômica
simples pedintes da caridade alheia
devemos ao barqueiro o último óbolo.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

RANÇOS

Mesmo o convite bem educado
traduz ranços de comportamento
no tamanho maiúsculo das letras
e no esquecer o devido tratamento

mesmo o texto bem comportado
traz em si - ou nas entrelinhas -
ranços (mostrados/dissimulados)
na exposição do ato pelas ideias

nos contatos sociais e familiares
destilamos ranços: no falso
beijo de chegada até a insolência
"querida" no tratamento

ranços nos acompanham como
se o amor e a delicadeza só existissem
                                            arruinados.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

PERPLEXIDADE

No encadeamento das ações
busca sentido na vida civilizada
em algo que demonstre a razão
                          para estar aqui

na incompreensão do acontecido
sua perplexidade pelos fatos
             não fazerem sentido

busca na matéria conteúdo
e força para compreender
o mundo fisicamente. Algo
           que una em costuras
                    a parte poética

na incompreensão dos ciclos
sua perplexidade repassa
as fases terrestres e também
           não encontra sentido.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

VIAJANTES

Atravessa a terra
de lado a lado
em todos os transportes
e inúmeras linguagens

pelos ares de contornos meridianos
pelos oceanos de águas profundas
pelas terras de compostas estrelas

visita palácios tumbas
templos oásis

está nos cabarés
nos templos
em balneários

volta como sai
pouco menos de fome
algo mais entediado.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 17 de novembro de 2018

MESMOS VERSOS

Quisera fazer versos
com palavras exatas
de enriquecidas rimas

quisera usar a métrica
em versos e versos
de mesmos espaços
a engolir letras
em desalinhados
apóstrofos

quisera sentidos alternados
no abusar das folhas vagas
ao saber corretamente
desenvolver o mote

quisera riscar clássicos
ao lembrar palavras
escritas no esgar
dos mestres: destruir
o futuro sem ousar
conflitar o presente.

(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

XEQUE

Movimentadas
as peças se imobilizam
no tabuleiro de restritos
caminhos em fechadas
passagens de bispos empedrados
             em torres sem permitir
             saltos cavalares

pobres peões responsabilizados
pela realização das estratégias
reais: à frente
          avante
         en passant

na mobilidade da rainha
entre idas e voltas de rápidas
passagens reside a cidadela
do rei limitado em passadas
indefesas pelo antecipado
lance de republicana ação.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Tristeza e Mínimo e a Menor Parte - resenha de Márcio Almeida

 Meu caro Pedro, boa tarde:
em seu livro TRISTEZA E MÍNIMO E A MENOR PARTE você assume: "frases desconexas aludem descobrimentos" (p.97); que "o poeta sobrevive mazelas e se dá ao luxo de redescobrir polvorosas maneiras desmentidas de versejares" (p.92); ou então faz a assertiva: "reflito o imponderável."
Estas leituras permitem usufruir melhor de sua criação poética, que na 1a parte do livro tem poemas como os de números 5 ("escuto os sons desintegrados - das lembranças - alguns soluços e memórias apegadas em guardanapos" (p.13), em que se tem uma projeção atávica à casa da infância; 20, em que você é "didático" com a existência: "descrições dependem de sacrifícios - entre escolhas"21); como na observação realista do 21: "minha vida se resume em palavras repetidas - não há quem me escute - além do tempo: inexisto". Também "didático", ou seja, consciente do seu ofício, quando afirma "a rima facilita a introspecção" (23); todo o poema 25, 45, 50. O número 4 da parte que intitula o livro (p.52); o nº 10, 14, 20,21:"nenhuma vez avento - ser possível igualar minha vida - em intermediário - soar de alarmes: desdizer implica negar as vezes - em que me desfaço"; 22: "amo a inconsistência da chuva - no endurecer palavras?"(p.70); 26, 43, 44, 49, 60, 72.

Seu livro cafuca fundo na existência, na memória, na significância das palavras, e como sempre surpreende pelo inusitado de suas construções que tornam a poesia objeto de prazer e de reflexão. Abraço - Márcio Almeida

Tristeza, em leitura de W.J.Solha (no seu perfil do Facebook)

Finge a dor que deveras sente – está em pleno “spleen” ( “estado de tristeza pensativa ou melancolia associado ao poeta Charles Baudelaire” ). Isso se choca com a distante imagem que eu tinha dele no final dos anos 80, quando ele era o chefe do CESEC local, ali na Epitácio, e eu, integrante da diretoria do Sindicato dos Bancários. Num panfleto nosso, eu disse, uma vez, que ele nos era um mal tão necessário quanto o inspetor Javert pra bela história do Jean Valjean, n”Os Miseráveis”. Blablablá, fanfarronada, mas quando leio, agora, o TRISTEZA, penso no Javert se atirando ao Sena. Principalmente quando Du Bois cria a imagem riquíssima deste poema, de que ponho a primeira e a terceira estrofe:
-
Dentro da garrafa 
o navio naufraga
dentro do navio
o marujo se afoga
-
-
(as pessoas ) não suportam
a evidência de que o navio
na garrafa permanece
sobre a mesa.
-
Isso é coisa pra você ler de novo e parar pra pensar no que leu.
Tem a ver com o que ele diz sobre “O corpo preso em portões / ( que abertos não permitem / a saída / e o retorno )” . Ou seja: isto é um mundinho de que não temos escapatória. “Tantas vezes me reconheci em lápides” – ele acrescenta alhures. 
Há uma cena de “Fanny e Alexander” em que Bergman nos faz acompanhar uma senhora que sai de um ambiente da casa de classe alta, onde se prepara intensamente o natal, onde tudo é alegria, e, em seguida, a vemos chegar ao meio da sala vazia em que estamos, parar, e – distante de tudo aquilo - dar o mais dolorido suspiro ou gemido que já vi em toda a minha vida. Jamais me esqueci da carga deprimente dessa cena tão distante dos grandes dramas... E deixo com você estes dois versinhos que me parecem do mesmo calibre:
-
Não era pra ser 
assim: desconforto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

LÓGICA

A lógica influencia
na concretização do abstrato
enformado pela universalização
dos conceitos: sem réplica.

Lógica vigorante em pedestal
de paradigmas idiossincrásicos.

Esforço insuficiente
em visões diferenciadas.

A lógica se diz experiente
experimento científico: verdade
desmascarada ante a anterioridade.

(Pedro Du Bois, inédito)


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

MOMENTO

Momento em que o atacante
elastece seus movimentos
gira sobre si em velocidade

fica com a bola
à feição para o chute
na trajetória indefensável

gol
e o abraço pela vitória

momento em que o defensor
entorpece seus movimentos
e em câmara lenta assiste
o giro do atacante
o chute e o gol
na compreensão
da derrota.

(Pedro Du Bois, inédito)

AMAITÉ POESIAS & CIA.

4 poemas, em:
https://amaitepoesias.blogspot.com/2018/10/4-poemas-ineditos-de-pedro-du-bois.html?fbclid=IwAR3ocG_FJezxZg9pAtuOERzcdNc6HBVTbGCpXhkWvZswtlMXverMMkpJXfI&view=sidebar

sábado, 27 de outubro de 2018

meiotom poesia&prosa

Saga, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo18faro.html

HISTÓRIA

Revemos a história
como lavamos a roupa
branqueando atos acontecidos
com puros e brilhantes protagonistas

não há história no que passam
para nós: apenas outra novela
para mero entretenimento

sem condicionantes
sem circunstâncias
sem ambivalências
sem lógico raciocínio
nem cartesiana apreciação

páginas e páginas recheadas
do que acham que houve em
amareladas páginas oficiais.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

SÉRIOS

Sérios
queríamos mudar o mundo
em qualquer mesa de bar

sérios
queríamos conquistar as mulheres
no vazio dos nossos quartos

sérios queríamos a certeza sobre tudo
nas conversas entre um jogo e outro

sérios
queríamos a liberdade
encontrada em revistas e jornais

sérios
queríamos ir embora da cidade
levando nossas costumeiras indiferenças.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 23 de outubro de 2018

MEDO

O medo é o primeiro estágio
da liberdade
consciência de que precisamos
de proteção
e que ela não se apresenta
como devia.

Quem mais está com medo?
Estamos com medo de quem?

Separar os fatos
dar-lhes livre interpretação
deles conhecer o respeito
necessário à convivência.

O medo é o último estágio
da liberdade
consciência de que precisamos
lutar pela sua preservação.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

VERSÕES

Avesso verso espelhado
          em insones noites

atravesso paredes em murmúrios
procuro entender o que se passa
na diversidade das pessoas

travesso verso no linguajar
dos pescadores: ininteligível
para quem apenas os procura
em busca do peixe limpo

reverso: como se a imagem
saísse do espelho e ao meu lado
sugerisse a troca: sorrisse
diante dos meus medos.

(Pedro Du Bois, inédito)


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

RETORNO

Quando volto
tenho a ilusão
de que o tempo
retorna comigo

(mas)
as ruas não são as mesmas
os olhares não se repetem
nem sou reconhecido.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

TEMPO

Não há o tempo
finito e encerrado
onde me apago

na luz fantasmagórica
em que acendo
meu caminho
aos vermes

e sou transformado
no que a terra exibe

outro tempo
e espaço.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 13 de outubro de 2018

COISAS

Esqueçamos a maneira como são feitas
esqueçamos a hora em que são feitas
esqueçamos a razão para serem feitas

estas as coisas
estas as horas
estas as razões

que nos amparam pelas horas
que nos assustam em determinadas horas
que nos fazem lembrar das horas

estas as coisas
estas as horas
estas as razões

o restante se perde
o restante nos assusta
o resto para nada serve.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

TriploV Blog

Forças, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2018/10/11/poema-45/

SOMBRAS

A sombra projeta
escuros corpos

companhia grotesca
associada em cada
um de nós

fiel companheira
em dias claros
de farta iluminação

desaparece na escuridão
quando mais precisamos
                 de companhia.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 9 de outubro de 2018

SONS

Sons confundem incertos
vultos na noite

assustam quietos corações
em recolhido silêncio

sons interiores
calmos e serenos
prenunciam a tempestade
          plasticamente bela
em sons desconsolados.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 7 de outubro de 2018

HISTÓRIAS

Toda história
é tardia apreciação
e isenta entre iguais

muito mais
do que nos conta
sobre a barbárie

toda história
é colorida apreciação

ignora o cheiro
           o medo
e a ignorância
então existente

toda história
        é romanceira.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

OUTRO

Quando me enjaulam
levo comigo a pior parte
que já nasceu presa
e não sabe dispor
da sua liberdade

ficamos presos
          e presos
   como presos
ficamos na jaula

dispenso as vestes
nada escondo
que na nudez
exponho a alma
como trunfo

enjaulado
converso comigo
troco amabilidades
e salamaleques

me dizem louco porque
de mim não conhecem
o outro que me enjaula.

(Pedro Du Bois, inédito)


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

MEDIDAS

Nos movimentos da Terra
somos o tempo que medimos

no calor recebido pela Terra
aprendemos a temperar a vida

no tempo
assim considerado
compreendemos a velocidade
com que acontecemos

na nostalgia dos dias
em nossos afazeres
podemos compreender
a eternidade.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Revista Cerrado Cultural

Vida, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com/2018/10/vida.html

Life, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com/2018/10/life.html

ATUALIZAÇÃO

Matas escondiam mistérios

           animais
           sons
           sussurros
           o farfalhar das folhas

bosques (quase) não existem
e os mistérios são outros

saldos bancários
notas escolares
desemprego
drogas e desespero

nos olhos (ainda) restam
momentos fugazes
da reconciliação.

(Pedro Du Bois, inédito)
                             

sábado, 29 de setembro de 2018

MAGIA

Na madrugada a realidade
se transforma em magia

nela encontro o lado transverso
                               controverso
                                      reverso
                                      inverso
                                       avesso
                                      da vida

enfumaçado e recuperado
pela realidade no alvorecer

a magia necessita do mistério
que só a madrugada contém.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ETERNIDADE

Quando disserem
                     morreu
retrucarei estar vivo
como sempre estive
enquanto por aqui

se insistirem na minha morte
tantas vezes retrucarei
com a minha vida

não há morte na felicidade
que se propaga
e se regenera
em novas gerações

(então) não dirão que morri
: reconhecerão em mim
  a chama eternizada
  a que nominarão
  lembrança

(e) viverei na saudade
dos que vierem depois.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Nós, Escribas (13)

N Ó S, E S C R I B A S (13)




                         De onde têm tido surgido
                           tantos versos, tantas rimas,
                             minhas doçuras-enzimas
                               vêm de algum reino perdido ?

                                                             (Silmar)




                                                   De onde surgem
                                                   os versos
                                                   tantas rimas
                                                   doçuras-enzimas
                                                   de algum reino perdido ?

                                                                 (Pedro Du Bois)
                                                     
Silmar Bohrer e Pedro Du Bois
Enviado por Silmar Bohrer em 25/09/2018

O QUE PODE

Do que reclama
diariamente
nada pode
alterar

não é sua
a solução
da vida

apenas participe
ordenadamente.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 23 de setembro de 2018

HIPOCRISIA

Roupas coloridas
fogem ao padrão

nenhum sorriso brejeiro
nenhum contato físico
nada de olhos nos olhos

roupas escuras
em lugares escuros
escurecem os amantes

nenhum segredo guardado
por muito tempo

escuras roupas vestem
os que sobram

no esquife: sorriso
brejeiro e roupas claras.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ESPAÇOS

Olho para o espaço
         para cima
        para baixo
       encantado com as estrelas
       planetas
       satélites
      apaixonado pela sensação
      do espaço finito
                    infinito

abaixo os olhos
para a terra
desencantado pelo antes
                      pelo agora
                      pelo depois

odeio a sensação de estar preso
                                enjaulado
                                solto

meço distâncias filosóficas
                           amorosas
                           religiosas
                           pragmáticas
                           dogmáticas
                           agnósticas

fecho os olhos
e esqueço o mundo
            fora de mim.

(Pedro Du Bois, inédito)


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

DEPOIS

Quando atravessar
o tempo restante
no aroma adocicado
do incenso
terei o sentido
de que parto

na retina os olhos dos que choram
e no corpo últimos abraços e beijos

depois
o não tempo
mais nada
nem ninguém

nem eu
apenas lembrança
por (in)certo tempo.

(Pedro Du Bois, inédito)

DE MÃOS DADAS - meu último livro - capa


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

CANSAÇO

No primeiro amanhecer
souberam do alvorecer

cotidianamente
entenderam a repetição dos dias
pela caça
       pela pesca
              pelas mulheres e crianças

envelheceram em alvoradas
no cansaço do final dos dias.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 15 de setembro de 2018

VOLTA

Não devia ter vindo
vim
não devia ter ficado
fiquei
não devia ter ido
fui
não devia ter ficado
fiquei

na conversa
emergem fantasmas
: companhias de horas
  insepultas

insepultos vultos
          contraditórios
          em amor e ódio
          indiferentes
          ao passar do tempo
          na metamorfose

não devia ter vindo.

(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

SILÊNCIO

Vozes anunciam
boas novas
em palavras
e sobranceiras
        maneiras

quietos escutamos
o que dizem

buscam significados
onde possam expressar
seus bons espíritos

buscamos o silêncio
: nenhuma palavra diremos.

(Pedro Du Bois, inédito)


terça-feira, 11 de setembro de 2018

SEMENTES

Mordida semente
amarga
boca

não há
multiplicação

encerrado ciclo
ressaca o restante

misturada
terra


mordida semente
ressecada
terra.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 9 de setembro de 2018

SEQUÊNCIAS

Primário mar a engolir
minhas rarefeitas palavras
que sem fôlego tentam
atravessar ondas: naufragam em mares
                            de textos desconexos

não faço melhor no proposto
propósito inicial: escrever
palavras desordenadas
em figuras atônicas
                  atônitas

esquinas de fins de rua: última
          casa deserta a despertar
        entre garagens e sacadas
        corujas adormecidas

secundários textos desabalados
nos olhos arregalados atrás
das cortinas: narinas entreabertas
           e coração descompensado.

golpes não libertários
na morte precoce: o final do dia
nas preces que carrego em vida.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

ILUSÕES

Iludido busca contexto
para o assobio do vento
através da janela

grande coisa
pensa

em mundos
mumificados
(como esse)
onde perambula
na busca das ilusões

disfarça o mau gosto
no gole da fina bebida
com que engrossa ilusões
despertadas em depressão.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

VISÕES

Primeira visão
tacanha
nada além das grades do jardim

segunda visão
tamanha
no banco da praça
escuta a chegada do homem na Lua

terceira visão
estranha
o trabalho fecha as portas
da imaginação

quarta visão
alcança
a família com novos ideais

quinta visão
sozinha
chegada a hora de aproveitar a vida
antes que se vá.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 1 de setembro de 2018

GESTOS

Retorna
para os seus
não devia haver saído

retornar
é o sacrifício

sem sorriso
sem paciência
sem dizer a verdade

mesmo assim
          retorna

seu retorno traduz
o amargo da derrota

ou
 o gosto doce da derrota
       o que dá no mesmo.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

FUTURO

Trata com displicência o futuro
afinal: esqueceu o passado
e nada sabe sobre o presente

devia estar atento:
          revolvido as verdades
          sem o amargor da vida

estar aceso nos atos diários
embevecido pela presença

estará ciente dos perigos
em atos e verdades
engolidos em embevecida
e cética presença.

(Pedro Du Bois, inédito)

Amaité Poesias & Cia

Tempos, em:
https://amaitepoesias.blogspot.com/2018/08/tempos-pedro-du-bois.html

terça-feira, 28 de agosto de 2018

ESCONDERIJOS

Ao recortar o pano
sabe o que surgirá
ao retomar o corpo
sabe como prosseguir
ao retocar o rosto
sabe o que surgirá
ao arremeter o carro
sabe como prosseguir

ao fazer a volta
retornar ao ponto de partida
enviesar por outra rota
retocar os fatos

sabe
surgir e prosseguir
em novas instâncias:
     onde se esconder.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 26 de agosto de 2018

Modus vivendi

Tempos, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2018/08/tempos_3

PERDER

A família utiliza
subterfúgios
fugindo do caráter
utilitário
com que empresta a praça
trabalhada
em prol do lucro unitário
esboroada
dos sentimentos
esquecida
da felicidade juvenil
desdobrada
em pesos sobre o corpo

etérea
mente livre de todo o mal.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

REENCONTROS

Reencontro amigos de tantas horas.
Conversamos sobre os aspectos
da vida postos sobre a mesa

na hora do derradeiro vinho
avinagrado pelo espírito
rebuscado na juventude

na exteriorização do não dito
na hora da separação

desencontros impermeáveis
aos ressentires distanciados
do grito escondido no silêncio

nossas meninas amadurecidas
envelhecem imagens guardadas
em faces esquecidas: mãos
se recusam aos adeuses.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

LUZES

Sente a luz sobre o rosto
disfarça
não pode mostrar o sentido
escondido
sob a carapaça fria de defesa
demonstrada
entre os panos da cama
macia
apresentada
fosse a luz sobre o rosto
iluminado
para fugir ao corpo
que se apresenta como nuvem
fugidia.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

REPETIR

No escuro da noite
o barulho do relógio
sistematiza a angústia
em metálica cadência

aguardo o amanhecer
de nova jornada
entre frias paredes
em angustiante sentido
de que tudo permanece

olhos espreitam o escuro
e nada encontram
para amparo e alívio
do corpo e espírito
em dias e noites
que se repetem.

(Pedro Du Bois, inédito)

DU BOIS - IMAGEM & REFLEXO


DU BOIS – IMAGEM & REFLEXO – projeto Passo Fundo, 2018
Waldemar José Solha
-
Os poemas do Du Bois me lembram fragmentos de pergaminhos ou papiros com textos bíblicos perdidos, em que experts tentam completar versículos. Fui às resenhas que fiz de outros livros seus e vi que iria me repetir, aqui, ao dizer que os versos do amigo gaúcho têm algo dos contos de Everardo Norões, cujo EntreMoscas me fascinou tanto que, em lugar de tentar interpretar seu livro como um todo, fiz isso em um conto e outro, que me pareceu mais cativante. Deu resultado, suponho, pois – pesquisando – descobri que em “Um Certo Goês”, por exemplo, o inominado homem de Goa é Aquino de Bragança, que o encontro dele foi com Ítalo Zappa – cifrado como “Calabrês, Barra do Piraí, nome de pátria” – e que o endereço onde isso acontece, em Maputo, Moçambique, é o da Embaixada Brasileira.
Bem, mas em Du Bois – parece-me - não existem pistas externas. Qualquer investigação do que deixa de dizer em seus poemas é coisa pra psicanalista ou exegeta – que invista numa exegese, análise detalhada do seu texto.
 Pergunto, primeiro: por que o título IMAGEM & REFLEXO? “Faciamus hominem ad imaginem et similitudinem mostram”? Não. O uso deste símbolo “&”, conhecido como “e” comercial, remete a uma associação – e, no caso, há uma, do poeta com sua tradutora Maria Du Bois, pois o livro é bilíngue. Mas pode significar algo menos prosaico. O Paulo das epístolas diz que “Agora vemos por espelho e em enigma, mas então – depois da morte, evidentemente – face a face”. Como o Google nos torna eruditos poliglotas, lá vai: “Videmus nunc per speculum in aenigmate: tunc autem facie ad faciem”. Embora não acredite que a intenção do Du Bois tenha sido essa, a ligação... cabe. O título IMAGEM & REFLEXO – não fossem as réplicas em inglês – bem que poderia ser ESPELHO E EM ENIGMA. Veja como o poema PASSADO, pág. 9, por exemplo, não tem nada de animador. Começa assim:
- Escavamos destroços/ retiramos camadas/ de terras e terras / sobre os séculos // nós em busca de respostas / que não existem
Duas páginas depois, em (DES)IMPORTÂNCIAS, o autor é ainda mais deprimente: enquanto “legamos conhecimentos/ ao futuro// impávidos descendentes / dos deuses/ da ciência/ e da nossa verdade” ... o que acontece? “Na relativa (des)importância/ insetos seguem/ voando ao redor das luzes/ onde se multiplicam / sem vaidades.”
Insetos.
Desisto?
Não, porque na página 91, no poema FINAIS, Du Bois me tira as palavras da boca. Não só sobre parar de tentar esclarecê-lo, mas de tentar esclarecer, de tentar... qualquer coisa. É uma senhora série de versos enxutos até dizer basta: das palavras, só os ossos.
- Parasse / de escrever // agora // parasse / de pensar // agora // parasse // agora.
E isto, página 95:
- Tenho destino / certo / traçado a giz.
Vê? “certo”, mas “traçado a giz”. Cinco linhas mais abaixo:
- tenho o caminho petrificado.
Página 29, com uma lacuna, essa fácil de preencher:
- Tantas vezes fui embora / para sempre / como parar de fumar / nunca mais.
O encerramento cheio de ironia:
- amanhã irei embora / para sempre // e levarei os cigarros.
Esses votos de deixar velhos vícios, lembram os dos que prometem fazer caminhadas diárias a partir do primeiro de ano, ou deixar de usar tantos cartões de crédito, com a constatação, em seguida, de que não fez nada disso:
- A novidade nos desconforta / em haveres desconhecidos //
Pausa.
- até / termos certeza / de que o início / continua o nada.
Eu apelo pra Wikipédia:
Niilismo (do latim nihil, nada) é uma doutrina filosófica cuja principal característica é uma visão cética radical em relação às interpretações da realidade, que aniquila valores e convicções.
E, de fato, o poema FUTURO ( pág. 139 ) também é desolador:
- Adivinha o futuro / enquanto presente: pressente. (...) / nada sabe do futuro / nada sabe do seu futuro/ não se prepara para a morte
E veja isto: o poeta transforma angústia em arte, no verso seguinte, trocando “morte”... por “marte”:
- o planeta marte / em seu curso natural / desabitado e inóspito // onde repousam os rastros / do artefato futuro presente / em sua superfície.
Tudo perdido?
Não me parece. Veja, na página 137:
- alegóricas palavras / semeiam estrelas / nas entrelinhas.
Alegóricas! Isto é genial: em ONÇAS, página 55, de repente Du Bois repete Dante no Inferno, onde o vate italiano se depara com “una lonza leggera ( ... ) di pelo maculato” Eis a fábula da esperança:
- A onça sai entre / os arbustos / salta sobre mim // Pergunta / o que faço /na beira do mato / na beira do rio // De paletó e gravata / e sapatos pretos de verniz / não sei dizer / o que faço / na beira do mato / na beira do rio// Nada respondo/ e a onça some entre as árvores
SOME ENTRE AS ÁRVORES! Como se visse.. a chegada do Virgílio, autor da ENEIDA, ídolo de Dante, e que será, daí por diante, seu guia na “selva oscura”.
Por essas e outras, IMAGENS & REFLEXOS é um belo acréscimo do nosso amigo gaúcho à poesia brasileira.


sábado, 18 de agosto de 2018

LINHAS CRUZADAS

Cruzadas linhas enredam os atores
em mesmas cenas e cenários

              no que dizem
              no que disseram
              no que alguém falou
              o que alguém ouviu

não desligam os aparelhos
                          (mudos)
esperam escutar segredos
e desvendar mistérios
(talvez) enriquecer
na desgraça alheia

(falam) participam das conversas
pois querem que reconheçam
suas vozes nas descobertas
e os incluam no que falam

(sejam enredados).

(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Modus vivendi

Memória, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2018/08/memoria_7

QUANDO RECOMEÇA

Refaz as amarras
sente o corpo solto
de todo o pecado

sente o medo ferver o sangue
e estranha suas entranhas
ácidas e secas ao contato

prende em nós o respeito
que foge pela vergonha
com que olha sobre o ombro
na tentativa de novos
contatos amorosos

sempre inicia silencioso
e ressabiado de experiências
outras áridas e arenosas
                     conquistas.

(Pedro Du Bois, inédito)


terça-feira, 14 de agosto de 2018

PASSADO

Escreve sobre sentimentos:
o ferro passa a roupa
            coloca frisos
             ajeita golas

conversa entre vapores
em exalados cheiros
dos corpos lavados

anota suas conversas
transforma em palavras
os silêncios proibidos
                   entranhados

memoriza a roupa limpa
                         passada
                 que cobre corpos
                 em outras passagens.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 12 de agosto de 2018

FICAR OU SAIR

Ir embora é a outra
parte da caminhada

como ficar
ou não haver chegado

uns ficam a vida inteira
no mesmo lugar
mesmo que incontáveis
vezes tenham ido embora

outros saem para sempre
não se aceitam onde estão
mas levam consigo
seus sentimentos
e sensações.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

ALARIDO

Não se preocupe com a oportunidade perdida
não se renova o passado

não se preocupe com o que há pela frente
não se antecipa o futuro

não se preocupe com a palavra faltante
não se apresenta o presente

apenas a preocupação com o silêncio
em que ouvimos os sons interiores
de que fugimos em alarido.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

MUNDO SILENCIOSO

Os que reclamam
do barulho diário

não sabem do silêncio
que enlouquece

sós
isolados
trancados

em silencioso universo
                           opaco.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 4 de agosto de 2018

Revista Cerrado Cultural

Dentro e Fora, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com/2018/08/dentro-e-fora.html

Inside and Out, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com/2018/08/inside-and-out.html

CUIDADOS

Nós que em grupo ficamos
estáticos ouvindo as ordens do feitor
não entendemos o que acontece
na rua ao lado ou no ponto de ônibus

nós que apenas ouvimos as ordens do feitor
erráticos olhamos uns para os outros
não entendemos o ofertado no noticiário
no cais do porto ou na porta do mercado

nós que apenas tentamos ouvir o feitor
sorumbáticos pelo peso da responsabilidade
não entendemos as palavras do pastor
no púlpito da igreja ou na ponta da lâmina

apenas nos agrupamos para ouvir o feitor
e depois nos separamos e sozinhos
tentamos cuidar das nossas vidas.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

AUSÊNCIA

Lentamente nos ausentamos
em cada ano juntos até não
        virmos como ficamos

estranhamente
continuamos à procura da imagem
dos tempos passados
     entre sons e ecos

irreconhecíveis
nos assustamos um com o outro
fôssemos ladrões das boas imagens
fôssemos larápios das boas situações
                            da nossa juventude

não encontramos: de lembrança
em lembrança esquecemos a relação
               fugaz em sua permanência.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 31 de julho de 2018

ANTIGOS AMORES

Expressa razões
- feixes de luzes
  leem a dor

quebra o encanto
do grande amor

antigos discos
        empilhados
        cobertos pelo pó

acoberta sonhos
de tempos passados

na irracionalidade contida
das lágrimas incontidas
em dores carnais.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 29 de julho de 2018

TANTO

Tanto esperei
cheguei atrasado

tanto penei
foi quase nada

tanto pensei
estava assustado

podia ser menos angustiado
entender os fatos lembrados
renegar o tempo entrecortado

tanto esperei
quando cheguei
não havia nada.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 27 de julho de 2018

SÍNTESE E RESUMO

Não rouba
não mata
não cobiça a mulher do próximo

não nega suas divindades
nem as invoca em vão

vive como sempre:
               pouco a pouco
                          sem loterias
                                     fama
                                 fortuna

naturalmente opaco

criado educado
casado aposentado

síntese e resumo
não literários.

(Pedro Du Bois, inédito)


quarta-feira, 25 de julho de 2018

ANTIGUIDADE

Antiguidade:

o que sobrevive
ao criador

na importância
multiplicada
pelo tempo

não o formato
       o material
       a textura

a originalidade
do que se mantém
para o nosso olhar.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 23 de julho de 2018

PORQUE NÃO MUDA

Honesto com quase todos:
              vinte por cento de graxa
              para igualar o peso

apaixonado como todos:
         olhos vorazes nos lugares
         onde descansa o corpo

familiar como quase todos:
          o aperitivo com os amigos
          em qualquer horário

religioso como todos:
           em cada sinal fechado
           grita "lincha" ao mero suspeito

bastião da integridade social:
    vota nos candidatos que encaminharão
    os seus pedidos e  que transitam
    com ele pelos mesmos descaminhos.

(Pedro Du Bois, inédito)
   

sábado, 21 de julho de 2018

QUANDO AMANHECE

Esteja por perto
sinta o aroma
do que há aqui

pode não ser o melhor dos mundos
mas é o que tem para viver

fique certo
espie a festa
sinta o calor dos corpos

não é o melhor dos mundos
mas é o que há para se divertir

acorde cedo
sinta o amargor na boca
feche as cortinas
volte a dormir.

(Pedro Du Bois, inédito)

meiotom poesia&prosa

Interlúdio / Interlude, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo18inter.html

terça-feira, 17 de julho de 2018

IMAGEM & REFLEXO - capa do livro


SOL A SOL

Desencontrados caminhos
                           peregrinos
                   savanas compostas
                   selvas decompostas

areia poluída
         óleos de bronzear
         cremes protetores

desencontrados peregrinos
           apregoam produtos
           embalam preguiças.

Sol a sol.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 15 de julho de 2018

HUMANO

Espreita a caça
          sorrateiro
          aguarda o momento
                        para atacar

esquece

a caça espreita o caçador
           ligeira
           busca o momento
                     para escapar

esquece

quem de longe olha
aponta a arma
                 mira
                    atira
                    para todos os lados.

(Pedro Du Bois, inédito)                   

sexta-feira, 13 de julho de 2018

QUEM NÃO FOI

Teve o tempo que quis
para fazer o que era preciso

pouco fez

teve o tempo que quis
para traçar o seu caminho

pouco traçou

teve o tempo que quis
para dizer a que veio

pouco disse

agora
   exige
     do outro
          o que deixou pelo caminho

- melhor sair de fininho
               e sumir no ar.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 11 de julho de 2018

AFASTAMENTO

Posso escutar a sua voz
mas a conversa repete
chavões esmaecidos

posso ler as suas palavras
mas o texto repete
fórmulas amarelecidas

posso ver as suas feições
mas a face repete
esgares esquecidos

posso tomar a sua mão
mas o contato repete
gestos entorpecidos

sigo outros caminhos
diversos
   dispersos
        ásperos
            amadurecidos.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 9 de julho de 2018

COMO INICIA


Mal     visto
mal      quisto
mal      cuidado
mal       criado

todos os males
          prefixos

Malazartes.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 7 de julho de 2018

QUANDO TERMINA

Onde o gosto
        desgosta

onde o ódio
         apaixona

onde a amizade
vai embora

o lugar vazio
espera preencherem as vagas
por todos os sozinhos imersos
em vidas mesquinhas
                  desgostosas
                            odiosas

solitárias.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Revista Cerrado Cultural

Fácil, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com/2018/07/facil.html


NADA VALEM

Nada valem as conquistas
          viagens de descobertas
          passado revisitado
          em cada caverna
          reaberta

nada valem as guerras
         rudes palavras
         presente reprimido
         em cada alarme
         disparado

nada valem as lágrimas
         derramadas pelos pais
         futuro encardido
         em cada situação
         desesperada.

(Pedro Du Bois, inédito)


terça-feira, 3 de julho de 2018

AÇÃO

das ações
      lembranças

vagas recordações
algumas escavações
              arqueológicas

              papiros
              desenhos rupestres

   templos
   aras
   sarcófagos

das inações
      a história
      recontada
      algum dia.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 1 de julho de 2018

SEU OLHAR


Seu olhar expressa
sentimentos impressos
de longa duração

                 a piscadela marota
                 imprime rápida
                 mudança comportamental

(eu)
cúmplice confesso
do crime previsto
na última estação

                  seu olhar imprime
                  sedução e sexo
                  em visão espiritual.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

FUTURO

Procuro no espaço
os restos do último
ereto homem

quem chegou depois

destinado a completar
a criação com sua evolução

a que chegaria depois

o futuro fere os sentidos
            no que busco
      e não chegará.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

GIBIS

Peixes conversam
em bolhas
sob a água

ideia original
das revistas
em quadrinhos.

(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 21 de junho de 2018

MALES

Não faço o mal
ignoro proibições

sociológicas

desfaço o mal
feito em proibições

políticas

esqueço o mal
passo ao largo

caótico

abdico de todo o mal
                    anterior.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 19 de junho de 2018

VONTADES

Mãos protegem o sexo
nervoso onde explodem
sentimentos e vontades

carícias acordam
esquecidas vontades
em retomadas passagens

olhos interiorizam cenas
na rapidez de ondas
cerebrais enlouquecidas

sentidos borbulham águas
em incandescentes mãos
que não mais se protegem.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 17 de junho de 2018

LEMBRANÇAS

Palavra
lembrança

música
lembrança

gesto
lembrança

olhar
lembrança

sobre a paisagem vista
emergem lembranças
das passagens anteriores

viajo.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 15 de junho de 2018

GUARNECER

Guarnece o silêncio
nenhuma palavra será dita

olhos fechados
nenhuma claridade será avistada

absorto
nenhum rumor será ouvido

mãos entrelaçadas
nenhum movimento será feito

guarnece o silêncio
em que se isola
do mundo exterior

sua interioridade
basta.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

MISTÉRIOS

                     O mistério se desfaz
quando olhamos da maneira certa
não temendo o que iremos ver
nem sofrendo pelo o que a vista alcança

            não há mistério
e os tempos continuam
como sempre foram

mera afirmação da natureza
          em que tudo se aplica
e se explica no tempo exato.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

VIR

Veio no encanto
em mágica carruagem
consigo o perfume
e a alegria das princesas

veio na noite
em alteradas cores
consigo a palavra
e o sorriso das princesas

veio fosse fada
além do horizonte
consigo a magia
e o mistério dos luares

veio sem nada querer
displicente em sua elegância
consigo a música
e as letras de eterno amor.

(Pedro Du Bois, inédito)



sábado, 9 de junho de 2018

DA TERRA

Que é a terra senão nutrientes
microscópicos e macroscópicos
seres que se repetem na vida
e a multiplicam?

Que é a terra senão
o que nos sustenta
e de todas as fomes
nos mantém vivos?

Que é a terra senão
a simbiose que se eterniza
na renovação da vida
em outras formas
e a que nos cabe
no final do tempo?

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 7 de junho de 2018

AMANHECER

Amanhece
em fímbrias cores
         cinza azuladas

morros fechados
em suspensas
partículas

a luminosidade aumenta
a percepção da matéria
              que nos rodeia

aclara ideias
desperta sentimentos

                 movimenta.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 3 de junho de 2018

PERTINÊNCIA

Resisto
encontro razões que me amparam

assisto
derradeiros gestos de conquista

resisto
na parede a arena usada

assisto
impávido a retomada

resisto
sem bandeira e glória

assisto
a morte terminar com tudo.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 1 de junho de 2018

REPETIÇÕES

Do alimento reparto o restante
em poucas palavras
e mísera fatia de pão

do que sacia a sede reparto
o pouco d'água
com o corpo na cama

da justiça não há como repartir
que a sentença engloba os aspectos
e o processo é julgado por inteiro

da cidadania o pouco que resta
do primeiro domingo dos anos pares
em auxílios desgovernados.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

RASGAR

Mãos ar   dentes
caninos

rasgam a carne
de todos nós

temporal   idade
real   idade

o que podemos
arrancar.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Revista TriploV

Terra / Earth, em:
http://triplov.com/terra/

DISCUSSÕES

A réplica permite
a defesa final
na indefensável ideia
de que poderão
se entender

a tréplica apenas acrescenta
o que todo sabem
                  da inútil ideia
       de que poderão mudar
       pela repetição.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 26 de maio de 2018

INSENSATEZ

Insensato corpo
            corroído
            em vícios
            e degradações

no esquecimento busca
recolher seus pedaços

recomeçar

insensato corpo
socialmente esquecido.

(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 24 de maio de 2018

CERTO TIPO

Encaminha a discussão
para onde conduz o assunto

que esperar do tipo?

Encaminha o assunto
para a discussão que quer

que quer o tipo?

Confundir o interlocutor
em confusas discussões
sobre profusos assuntos.

Não há progresso
com tipo da espécie.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 22 de maio de 2018

LADO DE FORA

Após o receio
tormenta
raios
trovões
a falta de sorte

estarei no meio da rua
enquanto tiver medo

após o recreio
recomeça a tormenta
aulas
sessões
a falta de norte

junto à janela
olho absorto
o lado de fora.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 20 de maio de 2018

Literário

Quando as respostas, em:
http://pbondaczuk.blogspot.com.br/2018/05/quando-as-respostas-pedro-du-bois.html

QUANDO AS RESPOSTAS

Respostas estão prontas
quando não são nossos os problemas
a serem resolvidos

respostas estão prontas
se não depende de nós
a solução dos problemas

respostas são prontos
repasses a terceiros
interessados

respostas são tontas
se nelas está a continuidade
do grande amor (des)abalado.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O QUE BUSCAR

Busco sempre mais
do que ofereço em troca
destroco a minha vida
em cada batida de porta

às vezes
me encerro
noutras me mostro

do lado de fora
quando busco encontrar

silêncio
soluço
aplausos
       reconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 16 de maio de 2018

ILUSÃO

Faço pior
dificulto amores
perdidos em falsas
dificuldades

faço troça
dos outros: choro
quando fecho a porta

faço pior
tranco as passagens
e me encerro em dificuldades
                                 ilusórias.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 13 de maio de 2018

RECONSTRUIR

Demolir
a casa paterna

guardar tijolos
argamassa
não desperdiçar madeiras e pregos

implodir lembranças
calar sentenças juvenis

ter no entulho
o entreaberto espaço
para novas construção

                 reconstruir a imagem
                  e o gosto ruim.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 11 de maio de 2018

LÁGRIMAS

tanto conversamos
nada entendemos
um do outro

conversas vazias
sem significados

tanto calamos
não nos entendemos

silêncios esvaziados
de significados

tanto olhamos: lágrimas
nos fazem entender
os significados

mesmo vazios.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 9 de maio de 2018

COMPANHIAS

Quando a infância em lembranças
                       extravasa o idoso

                      quando a criança
          ressurge em conquistas

              quando a juventude
        penetra em nossa vida

quando nossos personagens
se fundem em única figura

quando estamos prontos
                         adultos.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 7 de maio de 2018

INGÊNUO E PURO

Na ingenuidade em que carrego os sonhos
na beleza interior que permeia o planeta
na tentativa de impedir o meu fim

apresados sonos
efêmeras camas
cabanas destelhadas

na pureza do horizonte
a certeza de possíveis
novas caminhadas

levito o corpo
no efêmero momento
dos raios penetrados
               entre palhas.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 5 de maio de 2018

o nenhum peso da luz

Sonhos, em:
https://pesodaluz.blogs.sapo.pt/sonhos-4296?view=456#t456

SOBERANA

Você em outro ângulo
                         soberana
reage em cada provocação
ri das piadas

você pela risada ampla
franca entrada em universos
onde perco meus objetivos

suserana
administra seus domínios
nas colocações feitas
fôssemos as piadas

você em outro ângulo
refletida no espelho
                soberana.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 3 de maio de 2018

RESPOSTAS

Receio não podermos
esperar outras respostas

as que são transmitidas pela vida
nas voltas dos ponteiros dos relógios
em cada oração noturna

receio não haver mais tempo:
           prazo encerrado para respostas
           inadequadas aos nossos anseios

as que nos são mentidas pelos dias
nas voltas circulares das orações diurnas.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 1 de maio de 2018

COMO GUARDAR

Quando estivermos tristes
com a voz embargada
e os olhos úmidos

saberemos ser a hora
da despedida

momento em que a vida
é cortada em luzes
que se apagam

entenderemos não haver
motivo para a tristeza
na insegurança de quem parte

o adeus duradouro
no pétreo esquecimento
das palavras lapidadas.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 29 de abril de 2018

ACORDADO

Fico acordado
em embaralhados sentimentos
dispostos sobre a mesa
em pacientes jogos

fico acordado: nada
além da vida
em curtas imagens

embaralho sentires
na rodada final
em cartas desgastadas

fico acordado que as cartas
marcadas repousam nas mãos
irreais da minha sorte.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

quarta-feira, 25 de abril de 2018

INEBRIAR

Percebe a vontade
estampada na face
não disfarça o íntimo
nem esconde sentimentos

coração ardente
                 desabalado
         sofre nas palpitações
         o que a mente não expressa
                 em palavras

passa
  marca a passagem
  no perfume com que poderíamos
                   inebriar os lençóis
        estivéssemos juntos.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

FINALMENTE

Desmerece a casa de teus pais
esconde na noite o que te ensinaram
abafa as cantigas de tua infância

esquece o colo
              o peito
               o leite de tua mãe

sê ingrato
    estúpido
    e grosseiro

não tenhas escrúpulos em roubar o pouco
                          que tenham guardado
nem te compadeças se chorarem

assim sendo
          assim serás
          no ressurgir a última tempestade
          e no escurecer da próxima borrasca

raios
 trovões
   relâmpagos espantam os céus
   onde repousarás terno em teus males
   e sozinho terás árduas batalhas.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 21 de abril de 2018

ARCANOS GRÁVIDOS

4 poemas, em:
https://arcanosgravidos.blogspot.com.br/2018/04/tres-poemas-do-pedro-du-bois.html

SUCESSO

"Pitza"
primeira etapa
"a persistirem..."
segunda fase
"aluga-se casas"
terceira parte

para completar
"amanhã acontece..."
final da fila

paciência
sentimento de civilidade
tênue possibilidade
de haver comunicação

nada feito: rebolam
e fazem sucesso na televisão.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 19 de abril de 2018

ESPERANÇA

Enquanto espera
                 esperança

quando for a hora
               temperança

passado o momento
                    saudades

esperança de reencontros
sorte em novas esperas
ansiedade por outras saudades.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 17 de abril de 2018

OUTROS TEMPOS

Espatifa a garrafa que substitui o peso
quebra a vara com que mede a terra
aprofunda a cova ao depositar a semente

tem por perdida a medida
    em que restou sua vida

esquecidas medidas fazem de conta
que a vida possa se transformar

muda regras
          institui o peso
          troca a unidade por metragem estéril
          no esquecimento da cova preenchida

nada brota da terra
                  nem flores sobre a tumba
nenhuma importância no peso da mortalha
                           terra ocupada aos poucos
                  perdida em incontáveis tempos.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 15 de abril de 2018

CORTINAS

cores repetem matizes diferentes
e olhos tentam apreender a paisagem
que se descortina

busca o auxílio das cores para ilustrar
o que pensa ver na paisagem
descortinada

na pretensão das cores entende ilustrada
a felicidade entremeada aos sentimentos
na busca para espantar a solidão
encortinada

(Pedro Du Bois, inédito)