sábado, 21 de janeiro de 2017

MUSA

Da musa retiro o enfeite

            nua
            circula
            em jardins suspensos

na imagem
a memória gesta
a fala onde se insere

a musa recompõe o mistério
entrevisto
              antevisto nas sombras
              do vulto em retirada

infeliz o velho expira o corpo
descoberto: o cego se penitencia
da visão esquecida em luzes
              do que se lembra

a musa se dispõe ao rito: aguarda
em cada linha a roupa costurada
em textos infindáveis da nudez
em detalhes na entrega absorvida
                                 pela cidade.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

SEMPRE

há o discurso
menor da cassandra
não original do estio

tempos de febres alvoroçadas
pela perda de comando

o indistinto rufar das asas
descoloridas da besta
no basta anunciado

tempos de falsas alegorias
em carnavais (re)começados

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

MODOS

Identificar na sanha
a cena indiferente onde consumidos
corpos em suas belezas

responder questões transpostas
dos desfiladeiros: ter as mãos
na aspereza do encontro

recomeçar a troca imaginada
em que tormentas amainam espaços
demonstrados em assustados tempos

rememorar o alcance inabitado
da flecha disparada ao contrário
no corpo do indefeso ser

restabelecer o contato no extremo
retirado ao sumo do instante

reacender luzes amanhecidas de penumbra
ao vislumbrar no discurso o trecho
menor das inconfidências.

(Pedro Du Bois, inédito)