quarta-feira, 21 de agosto de 2019

DORES

Dor da mãe
       filho na guerra
esquecida infância
       brincadeiras
esquecida adolescência
       puberdade
esquecer que houve o sorriso
        triste esgar
                 agora

dor da mãe
        filho na terra
esquecida infâmia
         bebedeiras
esquecido passado
          amarrotado
esquecer que houve o filho
          triste lembrança
                          agora

dor da mãe
           filho da época
esquecido infante
           sorrateiro
esquecido homem
           transformado
esquecer que houve a esperança
           triste passado
                        agora.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

ANTIGOS

Anteriores deuses
   cerimoniosas figuras
   impávidas sobre montes
   descobriam as cidades
   de perdidas ruas
   sem fim e futuro

estradas: trajetos curtos
onde homens e mitos
se encontraram na primeira
volta do rio sem pontes

na porta o símbolo do medo
pela não realização na imagem

na desfaçatez do sonho o sono
pesado do escriba: mão calosa
fosse agricultor que na terra
cede à sede argentária

luas passadas
caminhantes perdidos
            ao irem embora
            confiando palavras

divindades caladas
                     mudas: confinadas
                     e confiantes na força
da forca: forcado restante ao corpo.

(Pedro Du Bois, inédito)


                 

sábado, 17 de agosto de 2019

ESCURO

Angústia no escuro quarto
olhos abertos
              fixos
         insones
         esféricas dúvidas

o som do carro distrai
o espírito retraído
em busca do repouso

o travesseiro amacia
o norte da história
e adormece espíritos
                        vagos

a angústia permanece
o escuro permanece
o dia amanhece.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

VENTOS


o vento
geme
entre portas

só o vento
teme outras
portas

só o vento
externa
as portas

só o vento
porta
o futuro
na passagem.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 13 de agosto de 2019

PRIMEIRO

Quero ser o primeiro
desta geração
a receber a graça
de ter a revelação
do começo
e do sentido
em regresso
sentido

quero ser o primeiro
desta última geração
a receber em desgraça
a confissão
do início o pecado
da sequência o amor
da frequência o sentido
da constância o fim.

(Pedro Du Bois, inédito)