domingo, 29 de março de 2020

CHORO














Era a propaganda
com seus feitos
:aumentadas estrelas
 avistadas através
 dos telescópios

o melhor dos mundos
coordenado pela
maior inteligência

há o momento
em que sozinho
o pensamento
recai na solidão
e a verdade aflora
a insignificância
de alguém que chora.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 27 de março de 2020

DISTÂNCIAS














Distantes nos tornamos
menos críticos
na visão panorâmica
de amplos ângulos
em todas as curvas

na distância somos
meros pontos contra
a linha do horizonte

o distanciamento poupa
a vida nos sentimentos
resguardados no que
não podemos ver

distantes lembranças
abrandam a saudade
guardada nos corpos
aproximados.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 25 de março de 2020

FICAR















Se os previdentes ficam
se os correntes não vão
se os amorosos acampam
se os medrosos se escondem
só os oportunos veem o futuro

deles somos o resultado
em burgueses acomodados

infelizes diante das vitrinas
tristes figuras viajando férias

dos que foram buscar novos
mundos de desconhecidas
sensações não tivemos
notícias nem foram
semeando caminhos

poucos estão na estrada
e deles fugimos na lembrança
de que não fomos.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 23 de março de 2020

DESCAMINHO














Por onde sigo
descaminho
em passos rápidos
no trajeto curto
descaminho
de longa caminhada
na chegada não prevista
descaminho
apresso (mais) os passos
por onde passo
descaminho
sei do fracasso
do regresso
para onde vou
descaminho
sei que não haverá
chegada.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 21 de março de 2020

TANTO














Tanto ordenamos
        condenados
   tanto mudamos
              isolados
  tanto buscamos
         escondidos
  tanto queremos
    desesperados

o tonto não percebe
as oportunidades
brinca em ameaças

tanto da vida perdida
indo atrás do vento
e do vulto fugidio
das imagens

tanto sonhamos
         acordados.

(Pedro Du Bois, inédito)




quinta-feira, 19 de março de 2020

HISTÓRIA





Em voz baixa me contam a história
fatos e atos realizados e acontecidos
na vergonha de tempos de escuros
simulacros: a chuva bate contra
a vidraça e a água escorre vidas
perdidas em batalhas sangrentas
onde o ódio e a ganância alternam
os ataques: nossos irmãos fogem
para outras terras cujos donos
não os recebem simpaticamente

presos aos poderes maléficos
mantemos abaixadas as cabeças
e o orgulho escondido na vergonha
de sermos explorados e ludibriados
no medo que nos devora a mente

vozes mínimas repetem o texto oral
que do passado não há réplica 
sobre o que nos contam: fomos
sempre assim e ainda somos
pois a raiva cedeu lugar
ao impassível rosto: nenhuma 
fibra vibra onde não há mistério.

(Pedro Du Bois, inédito)