quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

SONHOS


Por que não escrevo sobre sonhos
sofro tormentosos instantes
em que a cena desnuda desenredos
de náufragos sentimentos
na busca de longos desencontros

ávidas águas serpenteiam pecados
não acontecidos na comunhão do corpo
                           no esgarçar dos tecidos
                           no semi-brilho das alturas
                           e no não chegar
 
sou sombra sobra sobrado encantado
da esquina no caminhar retilíneo pela calçada

descoradas paredes liberam o corpo
de meu futuro passado e presente
momento na mumificação do corpo
em sorrisos e esgares

movimento protelatórios
em que o acordar se manifesta
                                     e cessa.
 
(Pedro Du Bois, inédito)

 

2 comentários:

  1. Que poema lindo e profundo... Não há o que dizer!

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  2. Cara Lianeide, você já disse. Grato. Abraços, Pedro.

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