segunda-feira, 7 de junho de 2010

O VOO DO PÁSSARO

O voo do pássaro precioso esboço sem o papel
a tela se desfaz em espaços abertos
pautas e linhas sobrepostas na cursiva escrita

traçado o trajeto modifica o tempo da passagem
prende o corpo ao objetivo e o vento nas asas
cintilantes formas soltas entre linhas e pautas

quem dera o primeiro passo seja o início
sem o tormento da dúvida consumida na queda
da desistência feito o efeito espacial do antes

ser livre em singelos voos de envelopes
sob a porta em mãos despertas em sinos
e campânulas de águas quentes da espera

espaçosas asas circunscritas ao calor de vésper
anunciam a noite na aproximação do escuro
fria maneira de se colocar em dia com as luzes.

(Pedro Du Bois, O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS, Vol. II, 35)

5 comentários:

  1. Olá,Pedro
    "ser livre em singelos voos de envelopes
    sob a porta em mãos despertas em sinos
    e campânulas de águas quentes da espera"

    E que estes envelopes sempre tragam somente boas notícias...

    E por falar neles, sinto uma grande falta das correspondências mais concretas onde havia a paarticipação da Agência de Correios e Telégrafos...

    Cartas em envelopes, sob as portas nas mãos despertas.

    Um abraço, amigo

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  2. Oi, Pedro.
    Cartas e envelopes são mais explícitos que mensagens eletrônicas, mas estas são mais rápidas - voam como pensamentos.
    Um abraço.

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  3. O vôo no permite liberdade, paz.
    Beijo Lisette

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  4. Sensacional de sempre, poeta!

    Braxxxxxxxxx

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  5. Oi Pedro,eu gosto de ler esses poemas curtos,pois os longos é para analisar,então eu copio e colo,ai,acabo esquecendo de fazer o comentário,me desculpa por isso.

    Abraços,Lúcia

    21/06/010

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