segunda-feira, 30 de novembro de 2015

TÂNIA, por Eric Ponty

O livro Tânia de Pedro Du Bois é como um só poema dividido em outros poemas que nos descreve à sua musa. Em sua lírica Pedro Du Bois fotografa os fatos com palavras imersas na poesia. São detalhes totais em versos mínimos como alguém que aprendeu o uso da ferramenta poética.

Sua Tânia é titânica em sua visão poética, que nos faz leitor na construção dessa massa de mármore vivo que é a sua musa. Pedro Du Bois fotografa os fatos com palavras construindo sua arte com o cinzel que é a visão poética.

Sabedor e acolhedor de detalhes constrói seu livro com requintada maestria colocando-nos à margem de interrogações outras demonstrando porque o nome Tânia não pode virar diminutivo pela perda da sua força. É isso que o poeta nos dá em seu livro. O cinzel que é a visão poética do mundo.
Eric Ponty

Passado / Past

PASSADO                                   PAST

do que está escrito                     from what is written
não apaga vírgula                      don't change a letter
do que é dito                               from what is said
não recolhe palavra                   don't take a word
do que é visto                             from what is seen
na visão permanece                   on the sight remains
do que é pensado                        from what is thought
não torna público                       don't become public
do que é doído                             from what is hurten
não cura a parte                          not a piece is cured
do que é violentado                    from what is raped
não arrefece a sanha                  don't satisfie the rage
do que é mandado                      from what is ordered
tem a cabeça do inimigo            has the enemy's head
do que é restrito                          from what is limited
não apresenta provas                 there are no proofs
de quem é amigo                        from who is a friend
não remove a face                      don't remove the face

(Pedro Du Bois, inédito)                                    (Pedro Du Bois, unpublished)
                                                                               (em Inglês, Marina Du Bois)

PASSADO

do que está escrito
não apaga vírgula
do que é dito
não recolhe palavra
do que é visto
na visão permanece
do que é pensado
não torna público
do que é doído
não cura a parte
do que é violentado
não arrefece a sanha
do que é mandado
tem a cabeça do inimigo
do que é restrito
não apresenta provas
de quem é amigo
não remove a face

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 28 de novembro de 2015

SER

sou parte da lembrança
uso imagens remanescentes
nos ditos apropriados sub-repticiamente
da terra natal materializada em noites insones

meus prédios não merecem
citações eruditas de estilos
construídos no êxtase
das explosões ameríndias
atravessadas em europeias
certezas de descobrimentos

minha visão perde a grandeza
na escala intercalada em apertadas
vistas onde revejo antigos caminhos
em estradas desproporcionais ao mito

minha vez de partir se faz opaca
deslembrança dos motivos
na razão mesquinha
do abandono da esperança
em permanecer sob as mesmas árvores

meu sentido de direção obliterado
nas confusões de jovens iletrados
na busca incessante da afirmação
constante de se dizerem ocupados

mais do que a incerteza o medo aliado
ao senso inoportuno das aventuras
de personagem em sonhos desassistidos

meu refrão infantil se repete
enquanto jovem
enquanto homem
enquanto velho

meu torrão alcandorado em versos
de homenagem ressurge agosto
desprovido de sentidos na origem
do desassossego no apertar
o cerco e me dispor a não ouvir
os gritos ansiosos dos que retornam

minha história em inconstantes
visitas onde a rapidez é o temor
de ser alcançado pelas imagens
através do que resta na memória

minha alvorada ainda aberta em músicas
despovoadas de personagens onde substituo
o existente pelo sonho e o misturo
na realidade estanque dos delírios

altero os ponteiros e o relógio mente
a inexistência dos que me acompanham

meu sofrimento anteposto ao esquecimento
onde em folhas de antigos jornais
descubro passagens nas paragens
das mortes prematuras

meus incansáveis motivos adulterados
em cafés requentados com açucarados
doces dispensados entre refeições
mesquinhas dos desencontros

minha razão entre sorrisos
em cada esquina
é personagem
maior da caminhada
em presentes eventos
sistemáticos da lembrança

sou dúctil canal intercomunicante
em olhares escancarados de bondades
resguardadas ao futuro

meu prazer apresentado ao verde
fruto colhido enquanto possível
ser recolhido no cesto da amizade

meu desconforto na meia idade
avança célere ao tormento
inigualável da velhice

meu acelerado passado descompassa
a destruição com que a volta
pode ser construída

ao sabor do vento o céu crispado
em cinzas de nuvens intercaladas
aos cheiros naturais do ambiente
em chuvas torrenciais de boqueirões
aberto em passagens

minha vez de reportar
nas esquinas a espera da volta
dos anônimos conhecidos
dos primeiros tempos

minha ansiedade não reconhece
na evocação das faces reflexos
refletidos nas mãos de corpos
famintos em reencontros fortuitos
de tempos não programados

sei da notícia no repassar o texto
primeiro surgido junto ao vidro
da janela do carro em disparada

minha solidão reencontrada
na casa destruída em construções
maiores de tantos andares

minha incorreta apreciação do tema
confunde o sentimento de estar
na insensibilidade da indiferença
com que cumprimento secamente
pessoas com quem me encontro

além do estado primitivo
animais buscam
se concentrarem
em bandos
de ataque
e defesa

meu incorreto modo de chegar perto
e dizer bom dia boa tarde boa noite
no receber o sorriso bem-vindo
da esperança pelo reconhecimento

meu atordoado rio desaparecido
na profundeza da intempérie
em sujeiras que o assorearam

tenho a sensação das ideias avessas
das conquistas versadas em ritmos
descompassados de espíritos aleatórios

meu atraso denuncia a falta de vontade
para encontrar o rumo o prumo e a razão
desfeita em sonhos ainda jovens

minha consciência educada na ética
corrosiva da prática na verdade

meu erro na fraqueza
com que o corpo se destrói
em instantes e o fulgor
renasce no momento da verdade

meu intocado espírito alonga
a alma em sonatas deploráveis
no final da noite: meu amigos
insubstituíveis esmaecem
na distância imposta pela vida
com que nos acostumamos

fomos tresloucados jovens
desacompanhados da ira
no entender a possibilidade
de não perdermos a vida
na armadilha das entrelinhas

minhas entregas em séries numeradas
alinham a disposição física no objeto
(re)apresentado ao contexto

minha suficiência arrestada
aos porões da inconsequência
de onde observo a linha do horizonte
se desfazer em horas utópicas de finitude

meu arrebatamento acolhido
em páginas amarelas de revistas
descompromissadas: o que pude ser
no tempo utilizado para a permanência

em cada tempo acordo o corpo
ao escutar sons dos momentos
inenarráveis de onde estou
e a eles me entrego: estou feito
e encontrarei
o final da história
descontada dos segredos
desvelados no terminar
com que jornadas
se estendem e se repetem
em tempos contemporâneos

(Pedro Du Bois, inédito)





quinta-feira, 26 de novembro de 2015

RECONHECER

Não me reconheço na inteireza do gesto
desdobrado além do alcance: alço a arma
          e o estampido ensurdece o pássaro:
no desconhecido instante dos arremates
cedo o compasso ao irmão menor: sigo
o poente aonde a perseguição diária
me leva ao final dos dias: acidentes
obstam a fala: o calar inviabiliza
o restante da coragem em fatias:
hoje em desconhecido corpo
prezo o espírito libertário
em enganos e travessas horas
de alegria: o gesto detém
o instante no momento
do reconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

MEDO

Olho a cena
vejo o corpo
tenho medo
do encontro
com a morte
no desencontro
pela vida

revejo os olhos assustados do adulto
           e tenho medo. Em atávico gesto
           desprendo as mãos e fujo

o medo paralisa os sentimentos. Imprime
pressa ao tempo: conservo abertos
os olhos despossuídos da razão
(o medo me alcança e consome).

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 22 de novembro de 2015

AVESSO

avesso ao tempo
conservo o medo
anterior do mundo
assustador das sombras

     reconheço cada entalhe
     na mortalha: recolho
     o pano desprezado
     junto à pedra

o medo remediado
consome a chama

atravesso a hora derradeira
entre razões: lógicas destituídas
do firmamento concentrado
na escuridão do quarto

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

AMIGOS

Ouça
   amigo
   tambores rufam
   em distâncias
              aproximadas
              sinta o tremor
              em pesados passos

aos amigos cabem os reforços
desnecessários das proteções:
                      esconda no verso o rito
                      maléfico dos sacrifícios

tambores destemperam
o modo do apaixonamento
refeito em sons anárquicos
no vivenciar (adocicado)
                        do silêncio.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A História Vivida

Desejos, em:
http://ahistoriavivida.blogspot.com.br/2015/11/desejos.html

DESTERRO

Não é minha terra Aéreo
transito mares Desconsidero
a ancestralidade Órfão na recusa
de gestos posteriores reafirmo
a crença no destino No outono
recolho folhas caídas Refaço
cálculos Reescrevo palavras
Nada se abre em mistérios
não preenchidos de saudade
Carrego a alça do caixão
Tenho amigos corajosos
em sobrevidas Atraso
o relógio na reação tardia
dos embustes com que adianto
manobras ao infortúnio desterrado
no que resta ao repetir o pranto

(Pedro Du Bois, inédito)

Estudo Geral

3 poemas, em:
http://luis-eg.blogspot.com.br/2015/11/pedro-du-bois-tres-poemas.html

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

TriploV Blog

Alvos, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2015/11/16/poema/

RAZÕES

Razão obscura onde repousam sonhos
desprovidos de razões obscuras
repisados em sonos
escondidos de razões obscuras
sugeridas nos avanços
desprezados por razões obscuras
para direções primeiras
avançadas em razões obscuras
das chuvas ácidas
em razões nem tão obscuras
nas extensões maiores
em razões amanhecidas
de sinos balados em horas
aferidas em razões amanhecidas
de levantar e ir embora
construídas em razões amanhecidas
de pães sobre a mesa
destituída de razões amanhecidas
em estratificados signos
de razões quase amanhecidas
na ilusão simplória dos enganos
atravessados em naves de razões midiáticas
desaforadas no verbo de confusões feéricas
de ódios em razões midiáticas
de assaltantes pulando muros
no circular os olhos em razões midiáticas
sobre o ouro descoberto ao acaso
na sorte desprovida de razões tardias
onde sentimentos afloram
em folhagens das razões tardias
nos reparos efetuados
por mãos calejadas de razões tardias
no encerramento do tédio
em porões de razões noturnas
afiguradas nos santos embarrados
no toque sutil das razões noturnas
na efêmera maneira de reformar deuses
acabados sempre em razões noturnas.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 14 de novembro de 2015

meiotom poesia&prosa

Alvo, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo15alvo.htm

EXPOR

conheço o exposto
faço cópias em lugares
onde o mistério transparece

luzes iluminam muros
na defesa inicial da superfície

no interior o aguardado
não aflora em discussões
e o gesto se recusa ao abraço

reforço a imagem aditada
da passagem no elemento
inóspito das descobertas

anunciações cabalísticas desfeitas
em conflitos não acobertados

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CERTEZAS

não trago certezas
sobre o futuro destilo dúvidas
amenizadas na razão
com que pobres de espírito
não se conformam
com certezas terrenas
e entregam suas vidas
ao milagre da impropriedade

(conformado) resisto ao amargo
da desconformidade e digo
da saudade futura: o retorno
amplia arcos desfeitos
em brumas de (re)começos

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Modus vivendi

Alvos, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2015/11/alvos

meiotom poesia&prosa

Viver, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo15barulho.htm

ILUSÕES

na ilusão posto ato
incontroverso
       atravesso anos
verdes do crescimento
amadurecido no tédio
das verdades: refaço
cálculos em políticas
promessas da hora
no estertor iluminado
em que a aurora
se transmuda na manhã
do dia apurado no sentido
com que o acordar se repete:
ilusões principiam na continuação
aposta em madrepérolas
tardias de aborrecimentos: sangue
fluído na missão endógena do mito
transbordado na derrota: iludido
regresso em noites conformadas.

(Pedro Du Bois, inédito)
  

domingo, 8 de novembro de 2015

VISÕES

Recebe a visão
e não se assusta

o todo é o pouco
demonstrado
na inteira parte
de quase nada

o nada é resolução
afeita ao ponto de vista
onde sequências
se bifurcam
e de todos os lados
surgem horizontes

a visão abarca a transferência
entre caminhos no andar lento
da inconsequência nas incertezas
demonstradas em olhares

o que vê resulta na dúvida
de que o todo e o nada
sejam entre caminhos
irresolutos modos

de perdição.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

LIVRE

Como ser livre
no abandono:

retorno ao seio desconhecido
amante em mim espalho o sangue
em artérias movimentadas de noites
anunciadas nas segundas vezes

recolho no úmido sereno
a secura em entranhas de vidas 
receosas dos encontros

na liberdade segrego vias
enredadas na descoberta.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015