domingo, 30 de junho de 2013

Leonardo Sodré

Desabitar, em:
http://www.leonardosodre.com/2013/06/desabitar.html

CÁRIE

       Não
meu pai
não sou bandido
trabalho num lugar ruim
cheio de cobras
e homens maus
                mas sou honesto
                                 limpo
e escovo os dentes (que não
                       aguento a dor
                       da cárie)

       sim
meu pai
sou decente
e não me prostituo
trabalho num bar
que é ponto de encontro
de mulheres fáceis
                    mas sou limpa e honesta
e escovo bem os dentes (que tenho medo
                                                    da cárie).

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Vale em Versos e Letras et cetera


Retornos, em:
http://valeemversos.blogspot.com.br/2013/06/retornos.html

Horizonte, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2013/06/horizonte.html

VENENO

A cobra e sua peçonha
veneno inoculado
tempo rastejante
                      o bote

        ficamos parados
ante o perigo
e não ouvimos os gritos
dos que nos pedem auxílio

o jogo em chutes cruzados
que o veneno impede
                  a esperada reação

noites em vigília
           o telefone não traz notícias
           de que estejamos melhorando

o veneno avança
pela corrente sanguinea
        que carrega o inimigo

                     paralisa
                     paralisado corpo
                     enquanto o tempo
                                         finda.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

TRANSFIGURAÇÃO

no sonho
transfigura
a imagem

acorda
e sente
a passagem

aquece
escondida
a transfiguração

novamente
é você
em reconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

CORPOS

A pressão sobre o corpo
                 gera a compreensão do corpo
sobre outros corpos deitados sob o corpo

o fôlego diz do desconforto do amor
físico do corpo sobre o corpo desfigurado
em náusea de dores e opressões corporais

só o início é entendido no frágil contato
sobrepujado por pesados corpos sobrepostos
sobre o corpo esmagado sob corpos

a morte joga os corpos
             sobre corpos caídos

primeiro e último corpo morto
transformado na comparação
que fazem sobre corpos postos
uns junto aos outros corpos.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 22 de junho de 2013

REVOLTA

Vê a revolta
na volta
o corpo nega
a raça

   some nas pirraças
   em que brinca
             o tempo escravo

revolto o corpo gira
                      e gira
          o giro sobre o corpo
          é redemoinho: traz
e leva a honra atingida

vê a revolta
no sangue que jorra dos corpos
tingidos pela lança
                  faca
              adaga
              o arcabuz ressoa
              tempos perdidos

volta ao cubículo: acorda
cedo e o trabalho permanece
                     na ferida aberta.

(Pedro Du Bois, inédito)

Meio tom

Desabitar, também, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo13desa.htm

Geléia General

Desabitar, em:
http://geleiageneral.blogspot.com.br/2013/06/desabitar.html

quinta-feira, 20 de junho de 2013

AÇO

A mão dedilha
o sabre contra a perna

música e morte unidas
em orações e cantos

desencantos desenvolvem
razões: despertas lâminas
e cordas no aço tocado
e dedilhado

na mão a alternância
se completa sem sentido

escuta o som
        e o movimento
        com que cala
                    o encanto.

(Pedro Du Bois, único)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Triplo II

Emblemático, em:
http://triploiialternativo.wordpress.com/2013/05/27/poema/

ANTONIN - 167

          O sonho desorganiza a manhã.
   Impõe à racionalidade a existência
do adormecido: quem se habilita
                          em ares controversos
                                  de rasantes voos

                                            sem escolha.

                O adormecido reflete
           sua inconstância nas lembranças
       desacompanhadas
                                 em reflexos: quem
                            se verifica em tramas
                diversificadas na pluralidade
                de vidas inversas.

(Pedro Du Bois, inédito)   

segunda-feira, 17 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

athos - Lúcia Freire

Marujo, em:
http://athos-luciafreire.blogspot.com.br/2013/06/marujo.html

DESEJO

A opção pelo desejo
que cultivo em ti.

Tua desfaçatez no interior
do óvulo. O desembarque
sem bagagens: lenços
lavados em olhos
             se despem
             no indesejável.

O jardim reduzido
em vasos - pequenos -
sobre a amurada.

     O desejo controlado
pelo impulso
        em me fazer
                 queda.

(Pedro Du Bois, inédito)
           

sábado, 15 de junho de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

2 Poemas em outros sítios

Rigores, em:
http://valeemversos.blogspot.com.br/2013/06/rigores.html

Igualdade, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2013/06/igualdade.html

DIVERSIFICAÇÕES

     O diversificado gesta em harmonia
   sua totalidade despendida em gestos.
O respeito se coaduna no sentimento
do alvoroço pelo reingresso. Ouso
                abusar do incerto ante
            o destino destrançado em ruelas.
            A diversificação atinge a estrela
      milhares de anos luz à frente.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Estudo Geral

A Criação dos Filhos, dueto com José Gil, em:
http://luis-eg.blogspot.com.br/2013/06/dueto.html

Ares e Mares

A Criação dos Filhos, em:
http://www.aresemares.com/index.php/materias-especiais/a-criacao-dos-filhos-de-pedro-du-bois/

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ENTRE

Entre nós habitam
                  mundos
                  na diversidade
                            universal: nem
     todos iguais ou parecidos
nem todos aberrações
nem todos desprovidos de ódio
                                        e relações.

Entre nós mundos
desabitados na contemplação
da paisagem radioativa.

O despreparo do universo
                  em se fazer conhecido
                  nos elementos que o habituam.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 11 de junho de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

COMEÇO

Sabe do começo
sufocado instante
da revelação

sonhos são desencontros
onde afloram angústias
de dias tumultuados

o espírito compreende
haver perdido o momento
em que poderia ser espaço
                               e mente

o corpo dói no esforço.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

IMAGINÁRIO

Estava certo de que seu imaginário
surgiria de alguma forma e no tempo
incerto das brincadeiras ofereceria
o lado incorreto de sair de baixo

estaria à salvo na tempestade
e nem os gritos dos espíritos
seriam capazes de naufragar
barcos e sentidos soltos
em loucas vagas

teria o descontrole da mágica e os coelhos
serrados brincariam em saltos suas metades
entre cartolas imóveis sobre o solo
onde o estático acompanharia o silêncio

na impossibilidade repousa o riso
e o martelar empurra o prego
ao desconhecido que sustenta
o quadro lá posto em castigo.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 4 de junho de 2013

FUTUROS

Não me pergunto sobre o espaço

                    longo
elétrico
                              iluminado

sou pequeno ser
     apequenado no dia a dia
de trabalho
  e sobras

aos céus olho na procura do milagre

               chove sobre a minha face

               não assustada
                               apática

(não pensa sobre o espaço o menino
 com a arma engatilhada).

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 2 de junho de 2013

REVERSO

O reverso se apresenta
                inverso
         invertido
inverno

no calor da música
que sacrifica o solo

a clarineta é repositório
depósito do que de mim
tenho em vida

o som invade o tempo
e a noite se faz longe

no reverso da corda
              o espaço
entre o chão e o acrobata.

(Pedro Du Bois, inédito)

Leonardo Sodré

Emblemático, agora, em:
http://www.leonardosodre.com/2013/06/emblematico.html