segunda-feira, 6 de julho de 2020

TEMPO












Evoco a imagem materializada
em reconhecimento: recordo
os traços e sulcos
decalcam a face

outros tempos
violados ao tempo
ignorados ao tempo

(tempo: espaço entre o ranger
             de dentes e a saliva ácida
             do que foi consumido)

refaço os reflexos e no local
do encontro destruo a base

não há reencontro entre
fatos e o reconhecimento
cede espaço à indiferença.

(Pedro Du Bois, inédito)

Modus vivendi

Poema, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2020/07/poema_18

sábado, 4 de julho de 2020

AVERSÕES













Avesso ao começo
desespero
e desperto
meu lado
triste: escuto no convite
          a verdade de não
          ser convidado

despisto minha tristeza
em leituras ordinárias

descubro os olhos
na tela diariamente
ligada

no alvoroço dos pássaros
reencontro o meu horário

visto a roupa fria
com que a noite
me recolhe.

(Pedro Du Bois, inédito)         

quinta-feira, 2 de julho de 2020

BARULHO












O barulho inutiliza
   o instante
   sonhado: incorpora
   ao nada a vida
   exibida em trabalhos

(a razão de estar aqui
 escrevendo palavras)

o barulho significa
a vida conhecida
na demonstração
dos atos praticados

(o silêncio é o retrucar
 do espírito desconsiderado).

(Pedro Du Bois, inédito)