Sou tua companhia
não te acompanho pelo caminho
pairo em lembranças
não te seguro as mãos
sigo teus passos
não te conforto na dor
choro teu pranto
não te vejo acima do bem
sou teu mal
sou teu destino
aquele de todos os dias
lado a lado
aquele de todas as horas
entre as sombras
aquele de todo o instante
amigo e amante
serei tua última hora
não quem colocará as mãos postas
aquele que abrirá o novo caminho.
(Pedro Du Bois, inédito)
domingo, 11 de agosto de 2019
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
VIDA
Juízo feito
nega o recurso
nada sobra
que possa (ainda)
ser discutido
o perfeito juízo
retoca a sentença
o ponto
a vírgula
a articulação das palavras
a vida
a vida
a vida
a vida não participa
não se enreda em papeis
nascida livre
não se prenderia
agora.
(Pedro Du Bois, inédito)
nega o recurso
nada sobra
que possa (ainda)
ser discutido
o perfeito juízo
retoca a sentença
o ponto
a vírgula
a articulação das palavras
a vida
a vida
a vida
a vida não participa
não se enreda em papeis
nascida livre
não se prenderia
agora.
(Pedro Du Bois, inédito)
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
QUEM
De quem o silêncio no quarto
de dormir ao ler o romance
sem palavras: escurece a peça
anoitecida em sortilégios: bruxo
de remediada hora em que se encontram
as verdades cabisbaixas entre mesas
de quem escureço as pálpebras
de inocentes olhos que fogem ao noticiário
de um dia a outro dia: repetidos em crimes
e em roubos e em quem esquece
o começo: para onde me levam
agora os de sempre.
(Pedro Du Bois, inédito)
de dormir ao ler o romance
sem palavras: escurece a peça
anoitecida em sortilégios: bruxo
de remediada hora em que se encontram
as verdades cabisbaixas entre mesas
de quem escureço as pálpebras
de inocentes olhos que fogem ao noticiário
de um dia a outro dia: repetidos em crimes
e em roubos e em quem esquece
o começo: para onde me levam
agora os de sempre.
(Pedro Du Bois, inédito)
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
PRISÕES
Sou minhas correntes
grilhões
abutres
sou minhas mentiras
fábulas
raposas
sou minhas dores
náuseas
leões
sou minhas vidas
mortes
corvos
sou minhas estradas
onde permaneço
domesticado
minhas feições de raiva
minhas feições de espanto
minhas feições de tédio
avanço sobre a mesa
paro
sento
recito a oração do dia
calado
como a minha parte.
(Pedro Du Bois, inédito)
grilhões
abutres
sou minhas mentiras
fábulas
raposas
sou minhas dores
náuseas
leões
sou minhas vidas
mortes
corvos
sou minhas estradas
onde permaneço
domesticado
minhas feições de raiva
minhas feições de espanto
minhas feições de tédio
avanço sobre a mesa
paro
sento
recito a oração do dia
calado
como a minha parte.
(Pedro Du Bois, inédito)
sábado, 3 de agosto de 2019
PESCADOR
O remo impele
a água sobre a pele
avança o barco
encapela
na capela
a mulher reza
a volta se realiza
em outro dia
acalmado.
(Pedro Du Bois, inédito)
a água sobre a pele
avança o barco
encapela
na capela
a mulher reza
a volta se realiza
em outro dia
acalmado.
(Pedro Du Bois, inédito)
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
IR EMBORA
Seria só esperar
era demora
seria só chegar
era ir embora
seria só esclarecer
era obscuro
seria só enlouquecer
era princípio
seria só esmorecer
era finito
seria só escutar
era fazer
seria só esconder
era desaparecer
seria só vender
era comprar e entregar.
(Pedro Du Bois, inédito)
era demora
seria só chegar
era ir embora
seria só esclarecer
era obscuro
seria só enlouquecer
era princípio
seria só esmorecer
era finito
seria só escutar
era fazer
seria só esconder
era desaparecer
seria só vender
era comprar e entregar.
(Pedro Du Bois, inédito)
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