sábado, 6 de setembro de 2014

PRIMEIRO DIA


1


Primeiro sentido no barulho do corpo na água
com a suavidade do linho. Papel transformado
em barco. Quedas invertem o movimento
dos mares e as marés declinantes, Sentimento
conduzido por salas escuras de entretelas: rebrilha
a vontade de ir embora. Através da porta ouve a voz
em chamado: está chegando. Não indo embora
na vontade espúria dos contatos. Na sala vê
o papel retirado. Sua morte selada
recebe a negativa: está salvo.

(Pedro Du Bois, em A DIFERENÇA ENTRE OS DIAS, Edição do Autor, 2006)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

JOÃO BEZ BATTI


Na pedra a coloração
inercial do universo
(maneiras diversas
dos olhares: sangue
não coagulado da donzela
oferecida ao sacrifício
de estar viva: indomada)

raspa a entranha e a delimita
no estrito dever de ser pedra

apedreja a mão que a escala
em réguas: as réguas libertam
o veio indelével dos amanhãs

cores se fazem apresentáveis aos olhos
menores dos interlocutores: palavras
soam porosas em elogios - bastante.

(Pedro Du Bois, em O SENHOR DAS ESTÁTUAS, Editora Penalux, 2013)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

PRESSUPOSTO

A igualdade é pressuposto
das  diferenças. Doentia
forma de desconhecimento. Arma
e arremesso. Corpo anteposto
ao dia anterior: juventude
e infância. Infâmia
concretada.

Iguais
em si mesmos almejam
o dia da chegada.

E ainda não
foram até a porta.

(Pedro Du Bois, em IGUAIS, Editora Projeto Passo Fundo, 2013)