domingo, 9 de setembro de 2018

SEQUÊNCIAS

Primário mar a engolir
minhas rarefeitas palavras
que sem fôlego tentam
atravessar ondas: naufragam em mares
                            de textos desconexos

não faço melhor no proposto
propósito inicial: escrever
palavras desordenadas
em figuras atônicas
                  atônitas

esquinas de fins de rua: última
          casa deserta a despertar
        entre garagens e sacadas
        corujas adormecidas

secundários textos desabalados
nos olhos arregalados atrás
das cortinas: narinas entreabertas
           e coração descompensado.

golpes não libertários
na morte precoce: o final do dia
nas preces que carrego em vida.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

ILUSÕES

Iludido busca contexto
para o assobio do vento
através da janela

grande coisa
pensa

em mundos
mumificados
(como esse)
onde perambula
na busca das ilusões

disfarça o mau gosto
no gole da fina bebida
com que engrossa ilusões
despertadas em depressão.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

VISÕES

Primeira visão
tacanha
nada além das grades do jardim

segunda visão
tamanha
no banco da praça
escuta a chegada do homem na Lua

terceira visão
estranha
o trabalho fecha as portas
da imaginação

quarta visão
alcança
a família com novos ideais

quinta visão
sozinha
chegada a hora de aproveitar a vida
antes que se vá.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 1 de setembro de 2018

GESTOS

Retorna
para os seus
não devia haver saído

retornar
é o sacrifício

sem sorriso
sem paciência
sem dizer a verdade

mesmo assim
          retorna

seu retorno traduz
o amargo da derrota

ou
 o gosto doce da derrota
       o que dá no mesmo.

(Pedro Du Bois, inédito)