quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

DESTINO

Não tive melhor destino
preso em mim
          pelo tempo
          pela farsa
          por tantas frases
ditas na hora errada
em que verbos fáceis
e adjetivos correntes
traziam na idade
a esperança futura

fechado enclausurado
acorrentado em medos
perdi o vento que transporta
a idade e adultera os atos
na mesquinhez dos retratos
de imagens desgastadas
na rapidez da pose: falsidade
com que me colocava ao lado.

(Pedro Du Bois, inédito)


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

CULTURA

Do recado
sombra no regaço
regato
de águas claras
e limpas

da mensagem
luz na palavra
verbo
de transitivo fim
e limpo

das sobras após o ataque
no barbarismo praticado
pelos de sempre
e sujos

do que ouvi dos passos
no grito com que o corpo
foi atingido
e sujo.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 7 de dezembro de 2019

CONDICIONANTES

Seria o último
a encontrar a resposta
certa sobre os aspectos
principais do que procurava

seria a última
visão do todo
resgatado nos fragmentos
trazidos pelo vendo

seria o último
estertor do pensamento
crítico sobre o começo
em relação ao firmamento

seria a última
esperança sobre a vida
ressurgida na claridade
em cegados olhos.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

REPRESENTAÇÃO

Após o espetáculo
entra pelos fundos
         palco escuro
         plateia vazia
         escuros camarins

reacende as luzes
inicia o trabalho
desfaz a sujeira
               limpa
               varre
               lava
               espana
     passa o pano

no palco
      para
        (glória)
 olha a plateia
              vazia

curva o corpo
em agradecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

MONSTROS

E os outros monstros
pergunta a menina?

Nenhum virá me
fazer companhia?

Algum deles
brincará comigo?

Nem a bruxa
nem a princesa
nem o monstro-sem-cabeça?

Esses monstros são fracos.
Não assustam a menina
que precisa de monstros
fortes para suas emoções.

(Pedro Du Bois, inédito)