segunda-feira, 19 de agosto de 2019

ANTIGOS

Anteriores deuses
   cerimoniosas figuras
   impávidas sobre montes
   descobriam as cidades
   de perdidas ruas
   sem fim e futuro

estradas: trajetos curtos
onde homens e mitos
se encontraram na primeira
volta do rio sem pontes

na porta o símbolo do medo
pela não realização na imagem

na desfaçatez do sonho o sono
pesado do escriba: mão calosa
fosse agricultor que na terra
cede à sede argentária

luas passadas
caminhantes perdidos
            ao irem embora
            confiando palavras

divindades caladas
                     mudas: confinadas
                     e confiantes na força
da forca: forcado restante ao corpo.

(Pedro Du Bois, inédito)


                 

sábado, 17 de agosto de 2019

ESCURO

Angústia no escuro quarto
olhos abertos
              fixos
         insones
         esféricas dúvidas

o som do carro distrai
o espírito retraído
em busca do repouso

o travesseiro amacia
o norte da história
e adormece espíritos
                        vagos

a angústia permanece
o escuro permanece
o dia amanhece.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

VENTOS


o vento
geme
entre portas

só o vento
teme outras
portas

só o vento
externa
as portas

só o vento
porta
o futuro
na passagem.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 13 de agosto de 2019

PRIMEIRO

Quero ser o primeiro
desta geração
a receber a graça
de ter a revelação
do começo
e do sentido
em regresso
sentido

quero ser o primeiro
desta última geração
a receber em desgraça
a confissão
do início o pecado
da sequência o amor
da frequência o sentido
da constância o fim.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 11 de agosto de 2019

TEU

Sou tua companhia
não te acompanho pelo caminho
pairo em lembranças
não te seguro as mãos
sigo teus passos
não te conforto na dor
choro teu pranto
não te vejo acima do bem
sou teu mal

sou teu destino
aquele de todos os dias
lado a lado
aquele de todas as horas
entre as sombras
aquele de todo o instante
amigo e amante

serei tua última hora
não quem colocará as mãos postas
aquele que abrirá o novo caminho.

(Pedro Du Bois, inédito)