domingo, 30 de abril de 2017

AMANHECER

Em que hora da pré-história
tivemos o primeiro beijo
entrelaçamos as mãos
e trocamos olhares?

Quando percebemos a reprodução
na continuação da história 
em que éramos personagens?

Em que noite entendemos a luz do fogo
mostrar nossos rostos em cavernas
multiplicadas no medo das sombras
entre paredes afugentar os predadores?

Quando começamos a amanhecer?

(Pedro Du Bois, inédito)

TriploV Blog

Vergonha / Shame, em:
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sexta-feira, 28 de abril de 2017

PRIMEIRA VEZ

Na primeira vez em que nos dispersamos
não tínhamos consciência do que fizemos
                     
apenas nos separamos
         e nos perdemos

em busca de caça (ao sul): alguns
em busca do calor (ao norte): outros

                  com nossas proles
                  quase famílias

quem decidiu ficar
                       seguir
                       ir atrás
                       foi ou ficou

na primeira vez não houve planos
não fizemos consultas
       nem argumentamos
       nem votamos pelo melhor caminho
   
não excluímos quem quer que seja.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

ANTES

Se os peixes falassem
peixes não falam

se existissem sereias
sereias não existem

se houvessem pássaros extraordinários
pássaros assim não habitam

se pudesse gritar
que longe me ouvissem
mas não grito assim

nada além do satélite
que poderá me localizar
na imensidão deste mar
pré-náufrago.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MONOTONIA

No instinto o corpo salta
e leva a esperança
que estraga a surpresa
do chegar silencioso

todos sabem
o medo de quem salta

o instinto busca sobreviver
mais um dia entre tantos
em mãos ligeiras
     e pernas ágeis
na monótona rotina
antes que a bala alcance
ou que outros o peguem

todos sabem o medo
de quem não salta.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 22 de abril de 2017

CURRÍCULO

Mede a distância
traça trajetórias
esbarra

milimetricamente
calculo o ângulo
derruba

fecha o olho
alça a mira
erra

avalia o salto
retesa os músculos
embala as pernas
tropeça.

(Pedro Du Bois, inédito)