terça-feira, 11 de outubro de 2016

NÃO DIZER

Nenhuma palavra
será esquecida
o eco a reterá
na eternidade
                  dos retornos
                  onde a memória
                  a aprisiona
                  em grades refletidas
                  de dias futuros

a agressão permanece
em cada gesto: destrói
o arcabouço
            e o arquétipo
            onde o tempo transita
            em minotauros presos
            aos labirintos
            das presenças

palavras impronunciáveis
dispensam cuidados
acobertadas na faina
                        diária.

(Pedro Du Bois, inédito)

Letras et cetera

Dizer, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2016/10/dizer.html

domingo, 9 de outubro de 2016

Revista O Nheçuano



Escrever, em (página 9):
http://www.fundacaomedicars.org.br/ckfinder/userfiles/files/Onhe%C3%A7uano_n_30%20PDF(1).pdf


ERROS

A percussão
estabelece o limite
do contato: a mão e a pele
são sons do mundo
               no eco de fundo
               dos espaços descobertos

sinal afetivo da vida
além dos olhos
e ouvidos finos
de transparências

o surdo rumor
da aproximação
e fuga
repete nos olhos
pés que se movimentam
na agilidade do estrondo.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

CONDICIONAIS

haveria de sair pelo mundo
no encantamento do espírito
com o corpo roçaria as pedras
diante dos olhos convencidos
(o tapete cobriria o piso da sala)
buscaria meandros e retiraria o peixe
:limparia com as mãos e a faca brilharia
contra a luz em olhos estremecidos
(a faca guardaria na gaveta)
teria em passos quilômetros distantes
de lugares indizíveis dos mapas
e as circunstâncias fariam o tempo
dos acompanhamentos e das noites
em céu aberto de descobertas
(os sapatos acondicionaria em caixas)
deixaria a vida estática no escalar alturas
vazias no espaço aberto em vastidões
terrenas que não alcançaria
(o corpo na cama macia e a vontade)

(Pedro Du Bois, inédito)