quinta-feira, 15 de setembro de 2016

CHEGAR

No extremo
descubro o espaço
abaixo
dos olhos
pespegados
em sólido
preconceito

retorno ao início
do jogo perdido
desde o começo

aos extremos não se concedem
espantos em estranhos gestos:

               apenas
               o estático corpo
               suspenso.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

CALMA

após a calmaria da viagem
não repito a paisagem
e me lanço à terra
na banalização
do gesto

(procuro a briga
 e me retiro surrado
 na cansativa reprodução
 em cenas de sangue e morte)

viagens cansam corpos desprovidos
dos sinais luminosos de fraquezas
nas histórias decompostas em capítulos
aproximados entre chegadas e partidas

a frequência corrigida dos lamentos
retira das frestas históricas a alusão
aos regressos: tenho a calma sensação
do ocaso no me reconhecer menor
do que o destino acrescentado:

               banalizações atravessam
               vidas ignoradas de fracassos
               em campos opostos.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 11 de setembro de 2016

SEQUÊNCIA

Na interminável sequência
lances se sucedem em último
e definitivo achado: única vitória

sucessivas jogadas esquecidas
em alternâncias e desabafos

o instante amedrontado pela desconfiança
                  faz o corpo lembrar a fome
      indiferente no retirar o sustento

breve: o retorno ao foco silencia
na escuridão a hora gerada
pela conscientização do espírito
em necessidades mercadejadas

interminável sequência indemonstrável
nos atos de prosperidade de afogados
sentidos em quase nada.

(Pedro Du Bois, inédito)