sábado, 7 de fevereiro de 2015

AMANHECER

na primeira hora dorme
e o acordar traduz o dia
em luzes de pura razão
e assombro no intercalar
o sono à vontade
de ser transportado
no quanto absorve
do que vivencia


ao seguir dormindo
sonhos se fragmentam
e retiram do dia alvorecido
razões no permanecer
em sonos diurnos

barulhos se entrechocam
em pesadelos ácidos
de críticas memórias

mecânicos sonos aprisionados
em dias amanhecidos de duradouras
noites onde quem dorme refém
acorda no susto de estar vivo.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PURIFICAÇÃO

A estátua
sente a água
móvel
sob os pés

refrigerado corpo
alagado corpo
encharcado corpo

submerso

movimentos lentos
de quem regressa
ao âmago
e se entrega
           recuperado

ao filho cabe o retorno
e aos pais o acolhimento
do corpo batizado
na purificação da casa.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

ESQUECER

O popular
      conhecido
   reconhecido
  abençoado
          refratário
não será lembrado
na inexistência apregoada
em benefício da vida progressiva
             onde destroçamos mitos
           
mesmo que alguém
ainda saiba da história
esse alguém é pouco
             (quase nada)

o nada sobrevive tormentos
quimicamente destroçados.

(Pedro Du Bois, inédito)


domingo, 1 de fevereiro de 2015

PARA TÂNIA


      Muitos (tantos) cantam loas
aos amores perseguidos em gatos
e ratos: transformam o dia
     em histórias deslocadas de noites
     mal adormecidas. Outros (tantos)
               repetem melodias em ofertas
               de produtos açucarados
                              e perfumes desbaratados
                              em lojas inconvenientes.

     Poucos amam o silêncio cúmplice
    de olhos e corpos encostados: poucos
                           se armam indissolúveis.

(Pedro Du Bois, 310115)