quarta-feira, 12 de novembro de 2014

OLHOS

Tem olhos aos acesos
espaços irresolúveis
de cálculos infinitos
nas esperas paralelas

posso dizer da face amada
a diagramação primeva
ao alcance das minhas mãos

esquece o tempo: hora repetida
em dias de estações alternadas
no cansaço básico dos planetas

relembra o olhar ante a face
da permanência na fixação do tempo

o tempo (esquecido amante) resulta
reencontros em olhos cabisbaixos

o pecado extingue o sorriso
                          no contato.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

DIZER

Penso melhor no que digo
- palavra encoberta em interesses

a primeira palavra em confissão
- as demais gritadas ao vento

não escolho o tom
nas palavras ditas: o teor
da conversa amena (ácida)
redobra cuidados

nada de definitivo digo
nas amenidades de sempre.

(Pedro Du Bois, inédito)


sábado, 8 de novembro de 2014

PESTE

Do que tenho medo:
a peste assola os lados
e a entretela protege
o fio onde me escondo

vidros azuis: vitrais
e aparelhos condicionadores
de ares escusos sopram
contra o vidro da janela

através do vidro assisto ao riso
sobreposto: máscara de um e outro
caminhante em passos lentos de bravura
estivessem em antigos livros: o que temo

a raiva explícita no rosto fechado
com que me deparo nas esquinas
com estranhos de todos os dias

a peste alça as asas: garras de coragem
arranham braços: ninguém diz do destino
encontrado em ruas iluminadas.

(Pedro Du Bois, inédito)