Aceno no reconhecimento ao adeus
do pranto: ir embora no rompimento
amigável e hostil do ato de partida
aceno e evito olhar o passado
esqueço o travo e desconsidero a hora:
partir é mergulhar o horizonte ao fosco
cansaço do corpo presente
refaço trajetos em acenos
e revolto o corpo
(sonhos permanecem em paredes
onde insone passeio minha vontade)
não aguardo: ofereço a entrada
e desapareço na estrada. Pago a passagem
com o suor da espera e me reconforto ao trajeto
(lembro a imagem errante do espelho
e me pergunto se haverá outro reflexo)
ir embora na culpa por não ter ficado:
reflexiono sentimentos e me faço inteiro
na oportunidade do aspecto e no despropósito:
entrevejo a bruma e no escuro tempo
sou louco cego surdo mudo desalento
(trancado em anos esgano a vontade
e faço do pássaro o espaço vago
na utilização do corpo)
volto ao tempestuoso dos que ficam:
do andarilho o trajeto na cristalização da terra
os pés na escalada: cair e levantar
na necessidade alterada das dificuldades
(deixo as folhas ao veredicto: palavras
não suprem a necessidade de ver o mundo
com os meus olhos)
ergo o punho em vingança: sair
avantaja o ser aos que ficam.
(Pedro Du Bois, A NECESSÁRIA PARTIDA, Volume I, inédito)
Vieste como um barco
Há um dia
