sexta-feira, 10 de julho de 2009

NEVAR

Nada sinto
diante da montanha

longe o branco
nada me diz

estrangeiro

sou por inteiro
o barulho
do condicionador
de ar

a montanha
longe

vaga lembrança
infeliz.

(Pedro Du Bois, em A INCERTEZA DA VIDA)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

COISAS

Continuo acordado
enquanto a casa dorme
e o sono
injusto dos instantes
se transforma no desencanto
de olhar as paredes
e a cidade imersa
em silêncio

os cães que latem
são as diferentes coisas
que me fazem perceber
a necessidade do sono
na restauração das imagens
diurnas das tragédias

não há tragédia na noite igual
ao silêncio elencado pelo corpo
na substituição do não repetido.

(Pedro Du Bois, em OS CÃES QUE LADRAM)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

PROMESSAS

...
o quarto desfeito
em camas desarrumadas

a luz acesa e a mala junto à porta:
promessas de infelizes maneiras de ir embora

o pássaro entra pela janela e se apavora:
se debate no que entende ser seu trajeto

sangra a ave: sangram corações infelicitados
que não podem cobrar as promessas

sangram corpos atingidos pela arma
cruel
e sanguinária

necessária ao alcance dos cumprimentos.

(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, vol. VII, fragmento)

terça-feira, 7 de julho de 2009

PASSOS

Escuto o som
decifrada rua
nua a pedra
onde trafego
tropeço
sério
seco passo

o som traz a lembrança
antecipa a desconfiança
com que se mostra ao novo

indecifrável a rua muda o passo
de quem passa
escolhendo a pisada
trôpega séria empertigada

o som completa o quadro
onde o medo esconde
o sentido e o fracasso.

(Pedro Du Bois, em A ILUSÃO DOS FATOS)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O POETA E AS PALAVRAS

Poesias
transcendem
as palavras:

amizade
realização
amor
esperança
perdão.

Polir a pedra:
primeiro poema.

(Pedro Du Bois, em O POETA E AS PALAVRAS)

domingo, 5 de julho de 2009

DEFENDER

Do metal, a têmpera
com que forja a arma

alma irresolúvel
onde a montanha
desbastada, destruída
mostra das entranhas
a terra restante

sua alma
arma inviolada
das defesas.

(Pedro Du Bois, em DESENREDOS)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A LUZ DESPOSSUÍDA

A luz solar
o luar
o lume
o vaga-lume
a lamparina

as sombras do acontecido
na urgência da emergência

a lâmpada utilitária
acesa na noite
insone.


(Pedro Du Bois, em A LUZ DESPOSSUÍDA)