quinta-feira, 11 de junho de 2009

FLORES & FRUTOS

A seca árvore
rebrota na época própria

secos sentimentos

desbotam o ser
no passar do tempo

sem volta

a natureza se recompõe
em ciclos regulares

o homem fenece
em amores terminados.

(Pedro Du Bois, em FLORES & FRUTOS)

terça-feira, 9 de junho de 2009

OS DIAS INDIFERENTES

Quarta-feira

1
Obscuro homem
sentado na cadeira
voltada para fora
da sua vida e da minha

sem pensamentos e lembranças
descompromissado e incógnito
no preguiçoso passar dos dias
em que as horas são apenas
o voo do pássaro e seus gritos

2
nenhum sentido em vista
e da vida terá respostas
a preguiça e a desavença
a profecia cercando
a noite de estrelas frias

os olhos fechados ao mundo
sumido sorriso esboçado
as mãos segurando firme
as guardas da sua cadeira.

(Pedro Du Bois, em A DIFERENÇA ENTRE OS DIAS)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

AMARES

Há o mar
Amargo em Sais
Molhado em águas
Recorrente em ondas

Há o amar
Amargos sais
Molhadas águas
Recorrentes ondas.

(Pedro Du Bois, em AMARES)

domingo, 7 de junho de 2009

CRER

XXXII

não creio que a história
em farsa renovada
seja o esqueleto no armário

o buraco da agulha se oferece à linha
e o camelo passa na repetição
do refrão da garrafa aberta
ao convite, a conformidade
em me saber aprisionado
na rede tecida em aranhas
representa o amanhã fechado
ao acaso lamentado das repetições;

a farsa gera o riso dramático
da exposição do corpo ao ridículo

a grade embaçada se transforma
em partes musicais e do silêncio
retiro o histórico adormecido.

(Pedro Du Bois, em A CASA DAS GAIOLAS)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PALAVRAS

...
feito assim desfeito em passos
decorridos dos dias em que as roupas
se ajustam e o corpo pede o silêncio

somos da música
o silêncio
e o gesto guardado
de outros dias

descruzamos as pernas
com que sustentamos
o corpo familiar
em palavras ocas
...

(Pedro Du Bois, em POETA em OBRAS, Vol. IV, fragmento)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

MARINA

A mulher
gesta
o filho (a filha esperada
no corpo
que se transforma)

conduz o feto à transformação
da forma: o último utilizado
como espera, o cordão inernaliza
os seres.

A mulher
gesta
o corpo (a filha se desenvolve
no espaço necessário

permitido ao rebento
que cresce na opção
da vida).

(Pedro Du Bois, em Júlia)

terça-feira, 2 de junho de 2009

XLVIII - A Coisa Condicionada

Ordeno ao objeto sua funcionalidade
e me resguardo em corpo humanizado.
A tendência e a transcendência
da coisa considerada. Do que me alimento
retiro a essência da coisa combinada.

Objeto transmitido em ondas
sou o corpo despertado: coisa
concretada.

(Pedro Du Bois, em OS OBJETOS E AS COISAS)