segunda-feira, 11 de maio de 2009

O JARDIM DO LABIRINTO


Ser do jardim o caminho

entremeado em flores


folhas decompostas

ao solo, tardio

em geometrias: teu

o labirinto onde formigas

carregam o destino recortado

e o medo avassalado: nada

se compara ao jardim

destruído em pedras

e inços: o jardim

das maravilhas perdido

em curvas indecifráveis.


(Pedro Du Bois, inédito)


quinta-feira, 7 de maio de 2009

O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS

...
do vento, invente as próprias glórias e as declare
de utilidade pública: votos depositados
em casamatas escuras; rápidos
gatilhos acionados, a saraivada
de tiros, balas perdidas em paredes
ocas, corpos sobre calçadas de transeuntes
embebedados em medos: receios infundados
e o traçado do grafite delimita territórios;
podem os temores serem recorrente
das limpezas: marmóreo olho ainda aberto,
corpo despedaçado em amores, lembranças
sobre mesas desarrumadas: restos. Sextantes
apoiam a viagem não programada: fugas
dos territórios amigos desconhecem
as pessoas, barreiras humanas
na explicitação das ideias; arroubos
juvenis na recepção aos convivas
oficiais; cena remetida à integração
entre palco e plateia: os primeiros
desencontros: falar e ouvir, reticências
e a promulgação da lei: falácia em código
onde atos são tipificados e o nada
é inexistente; presentes e cientes
longínquo e do perto amor: crisálidas,
beijos e abraços; a traição cega
a inteireza do ser.


(Pedro Du Bois, em O NASCER DOS ARES E DOS PÁSSAROS,
Volume I, fragmento)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

TEMPOS

Reduzido
ao outono
- tempo presente -
me ofereço ausente
de retornos
- tempo presente -
tangente exposta
sou aposta: apontado
ao destempero vicejo
invernos desiguais
- tempos aparentes.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A LEVEZA DO TRAÇO

Frutas
vasos
toalha
mesa

a mão do artista
plasticamente
percorre o ambiente

na combinação das peças
nos remete ao mundo
da admiração consciente

estendo a mão sobre a tela
e aproveito o contato.

(Pedro Du Bois, em A LEVEZA DO TRAÇO)

domingo, 3 de maio de 2009

DIAS

Dias em que nuvens superam os horizontes
e voltamos para dentro: caramujos caseiros
desdenhamos as luzes e nos recolhemos ao sal
que nos desmancha os corpos: poderíamos enfeitiçar
o verde que da mata nos observa: silencioso silvo
da serpente nos acorda em lágrimas
silvestres de amostras e os telhados pontilham azuis
celestes: do outro lado gargalham vozes
sem sentido: fazem do encontro o acordado
em sutis toques com que se fecham as conchas.
Mostram os dias no infinito ardor emparedado
aos bilionários anos de sagrações e esperas: antes
fossem transformados na liquidez da espécie
e retirassem as demonstrações de afeto e graça
...

(Pedro Du Bois, em POETA EM OBRAS, Vol. V, fragmento)

sábado, 2 de maio de 2009

MANDAR E FAZER

Do que foi dito
memória

jogos de lembrar

do que foi feito
história

jogos de mandar

dizer e fazer

próximo
distante

na materialiação do verbo
na desfragmentação do ato.

(Pedro Du Bois, em TANTAS MÁSCARAS)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

CURITIBA


Leminski
tinha razão
muito mar
passou por aqui

Leminiski
tinha razão
sobre a eternidade
da juventude

Leminski
não teve razão
ao ir embora
antes que o mar voltasse

antes findasse
sua eterna juventude.

(Pedro Du Bois, em AS PESSOAS NOMINADAS)