sexta-feira, 24 de março de 2017

meiotom poesia&prosa

Hordas/Hordes, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17horda.html

PODERES

Posso ser tantos
                 santo
posso ser menos
                   nada
posso ser a hora
            estanque
            posso ser outro
                            mesmo
            posso ser vida
                            morte
                            posso perseguir dias
                                                      noites
                            posso vencer
                                       perder
posso esquecer
          lembrar
posso ser homem
                animal.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 22 de março de 2017

meiotom poesia&prosa

Música e Palavra, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo17mp.html

Isla Negra 440 + Navegaciones114

Pedro Du Bois
Brasil
Música e palavra

A música atravessou milênios
sacralizada no tom repetido
como interlúdio
intermezzo
interrogação
sobre as palavras

plurais palavras se repartiram
na repetição do foi nominado

a música altera o sentimento
do que é dito

foge do padrão inicial
ao multiplicar os sons da natureza
nos sons criados pelo homem

palavras e músicas caladas
são amores descobertos

no beijo na boca.



NOMINAR

Anônimo
interpreta o papel
esquecido        fala sobre o corpo
     recolhido ao sussurro
: o nome pronunciado indica
a origem
o caminho
o medo
explicitado na oferenda
e o siso contornado
em alas abrandadas
onde vidraças estilhaçam
pontos de reconhecimento.

A cor expressada ao abrir
os olhos determina
o momento em que o nome
não assumido aflora paixões
e desperdícios atomizam
regras reescritas na conformidade
exigida pelo rito em que se entrechocam
nomes            alcunhas        e apelidos
singelos apostos na infância: infâmia
nominada em restrito chamamento.

(Pedro Du Bois, inédito)


segunda-feira, 20 de março de 2017

TERRAS

Na terra
a pedra
esculpida

na terra
a guerra
consumida

na terra
o olhar
terreno

na terra a ambição
do eixo imaginário

desterro o sonho
e o aprofundo
em cosmos equilibrados
                   sustentados
                   indissolúveis.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 18 de março de 2017

EXAUSTO

Entrego verdades
ao lixo: catadas
em dias maldosos

não interessam luzes
barulhos
silêncios
murmúrios
palavras ao pé do olvido

encarcero a palavra feito
enfeite sobre as mesas
e a despojo ao solo
sob botas de dizeres

escuto o grito que me orienta
no não revelado: do cansaço
trago o desprezo dos dias acesos.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 16 de março de 2017

NOME

Ao me perguntarem o nome
penso o começo e digo pedro
mesmo não sendo pedro
o primeiro nome recebido

no nome escondido
em que se expõe
a dor do parto

como se comporta a angústia
compreendida na impotência
revestida na espera do nome
                       ainda não dito

inaudita a criança nasce
no tempo aproximado
em que o corpo
a expulsa

o nome não vem junto:
aposto no futuro instante
em que se integra ao ser
e o torna permanente.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 14 de março de 2017

CORPO

O abandonado corpo subsiste ao tempo
em partes decomposto pela ignorada vida
de sucessivos fracassos desentendidos

o arcabouço reflete os sentidos
opostos nos descobrimentos:

o tanto percebido ao sabor do vento
nas mãos do ladrão apoderado do fracasso

o corpo não descansa em insensata matéria
na limpeza crua da decomposição atávica.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 12 de março de 2017

DISCURSOS

No discurso retiro a ênfase
transubstanciada em esgares

a mão prende o cumprimento
dispensado: a pausa dignifica
a frase estendida em ares
ecoados nas repetições

apático ouvinte assevera
ao transeunte estático
sobre céus primaveris

não me prendo em substantivos
de êxtases deprimentes no esquartejar
do alquebrado: pedra no estilingue
disparado em reconhecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)


sexta-feira, 10 de março de 2017

MORRERES

Não basta
a morte
natural:

adoece o corpo em insondáveis
espectros de decomposição

temos assassinatos
           morticínios
           catástrofes

a morte personalizada
na desistente impotência
de cada ato suicida.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 8 de março de 2017

OUVIR

Ouço a voz estática do que é dito.
A vida se mostra impura na ideia
dolorida das ressacas. Estar aqui
é contingência inelutável
da passagem gerada no vínculo
absurdo da maldade sobreposta
em atos desatinados de fatuidade
: nada representa a dureza
dos elementos em que minha
fala falseia a verdade na hora
de ser forte em solidariedades
(como se importasse): carrego
a ilusão simplória da fortuna
no fechar o caminho ao futuro:
ficar é inadmissível na voragem
dos sentidos: o sentimento dói
na verdade em que o corpo cede
e os olhos são fechados.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 6 de março de 2017

TRADUZIR

Escuto o verso
            traduzido
            no absurdo
            gesto de mãos
acenadas ao infinito: palavras
                                      em retrocesso

             assisto o verso
             em gestos mensurados

conclusivo o verso
entreabre o infinito
e se demonstra
   não traduzido.

(Pedro Du Bois, inédito)
               

sábado, 4 de março de 2017

TÂNIA

De todos os rostos
de todos os olhos
de todos os sorrisos
              teu sorriso

na sinceridade do ato
teu sorriso anuncia
o tempo demonstrado.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 2 de março de 2017

VIDA

A vida
nos conquista
pelo desafio
inimaginável dos fatos
despojados em árvores
sempre vivas

retira o sumo
que nos consome.

(Pedro Du Bois, inédito)