sexta-feira, 26 de junho de 2015

REENCONTRO

tem a riqueza para comprar o básico
                                             o corpo
                                              a ideia
idiossincrásica do desconhecimento
sua fortuna detona a rocha
em explosões graníticas
apocalípticas
de tempos imemoriais
na arqueologia
onde um dia seu corpo
descoberto em tumba
será levado ao museu
e exibido como múmia
não enrolada em gaze
não besuntada em óleo
não estripada em serragem
não perfurada em formol

a riqueza não faz diferença e dos ícones
pintados nas paredes redigem histórias
fantasmagóricas: passados são etéreos

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ares e Mares

Viver, em:
http://www.aresemares.com/index.php/materias-especiais/viver-por-pedro-du-bois/

SEGREDOS

não lembro na senha
a combinação imposta
e dos números e letras
faço uso diferenciado
em cada sentença

segredos desvendados
por piratas
      primatas
                de amores
na ética acondicionada
em sacos de supermercados

não penso recuperar os bens
que me são subtraídos
e no restante me sustento
em câmbios diversos

sou devorado pela esfinge
de quem levo a última lembrança
                                     (permitida)

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

TriploV Blog

Sempre, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2015/06/16/poema-sempre/

Arcanos Grávidos

Poema "L", O Senhor das Estátuas, em:
http://arcanosgravidos.blogspot.com.br/2015/06/poema-de-pedro-du-bois.html

Mhario Licoln

Aderaldos, em:
http://www.mhariolincolndobrasil.com/#!potica-03/c1cnl

Kaya - Revista de Atitudes Literárias

Novo número, em:
http://kayarevistaliteraria.blogspot.com.br/

PREOCUPAÇÕES

Antecedo ao início
na preocupação
e despropósito
com que carrego a dúvida
mensageira: dos estragos
em estratagemas e esperas
retiro o contido entre nadas
e o precedente permite
a apresentação (singela)
das ideias repletas
em novos significados

de propósito rompo a cena
e acrescento verbos acionários

para que possa reviver o início
em pedaços no canto dos pássaros
despreparados em voos circunflexos

preocupado com a imagem embaçada
da antevéspera: com o sorriso amargo
                          ao voltar para casa

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 20 de junho de 2015

AOS PÓSTEROS


De alguma maneira
e forma
recuperaremos
aos olhos dos nossos filhos
e netos
a vergonha perdida
nas transições
e transações mercadejadas
quando transformamos
nossas mãos em negócios
escusos

aos que vierem deixaremos
a certeza de que o hiato
será esquecido
e a eles caberá não deixar
as impurezas mais uma vez
turvarem o corpo cristalino

da verdade.

(Pedro Du Bois)


quinta-feira, 18 de junho de 2015

AO OUTRO

Não dou ao outro direitos
privilégios elegias
retenho no gesto o despertar
com que sei do início

ao outro o retorno se faz condizente
com medos e tragédias no escopo
antevisto ao abrir os olhos

sou repelido filho desinformado
no instante entreaberto
das verdades em inversas
palavras de acumpliciamento

não concedo ao outro o restante
sacrifício em me dizer amigo
e irmão e imagem sobreposta
no acompanhamento.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 16 de junho de 2015

VOLTAR

Por mais que peçam tenho o senso
de me manter ausente dos regressos
exigidos em cobranças
notícias
fictícias notas
na responsabilização da chegada
em criminoso alarido de pródigo filho

não retorno minhas peças
nem as remeto em malas
eletrônicas desviadas do rumo
das oferendas e oferecimentos

calo meus ouvidos aos lamentos
e distingo entre silêncios
conscientes ressentimentos

voltar finaliza o caminho
não percorrido.

(Pedro Du Bois, inédito)

Vidráguas

Sempre, em:
http://www.vidraguas.com.br/pedro-du-bois-sempre/

Ares e Mares

Sempre, em:
http://www.aresemares.com/index.php/materias-especiais/sempre-por-pedro-du-bois/

domingo, 14 de junho de 2015

DEIXO ESTAR

quando me atrapalha as visões
distorcidas capturadas em cenas
prosaicas da cidade
deixo estar
ao ver a mãe arrumar
a roupa da filha
e a ajudar a atravessar ruas
amarguradas na insensatez
dos projetos despossuídos
em homenagens e acolhidas
deixo estar
no colorido final do dia
a luminescência com que acendemos
insones noites e retiramos
o essencial acumulado em provas
deixo estar
até secar a vontade inerente
nos goles ávidos do ressentimento
deixo estar
e fico sobre a amurada umedecida
do calor transfigurado em verdades

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

DORES

Ao permitido
a negação pregressa
da vontade

     - triste melodia
       a embalar corpos
              adormecidos -

a dor permite ao corpo
induzido em pensamento
a substância iluminada
na perda da certeza

ao concedido o aceno
no medo do irrecorrível
nivelar dos pensamentos

a dor reprimida no gesto
animalesco que afasta
a lâmina e faz o sangue
jorrar pelo caminho

ao antecedido
a perda anunciada
em estrelas perduradas
sobre os seres.

(Pedro Du Bois, inédito)




quarta-feira, 10 de junho de 2015

Modus vivendi

Regularidade, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2015/06/regularidade

DERROTAS

na derrota recolho os sentimentos
e os levo ao recomeço dos treinamentos

outros se esquecem das mágoas
e se apresentam em novos retratos
de mesmas épocas

a pena condena ao ostracismo
desiludidos seres caminhantes de trajetos
ordinários: sobreviventes igualados
em despropósitos ao se alimentarem
das lembranças: começo
                            e meio
                            menos o final
                                       irrealizável

a purificação é falta não consentida
fechada ao prêmio: a mão acoberta
olhos marejados: mar intrometido
entre desejos: afastado na calmaria
da paciência: corpo retornado
ao seio infantil: monstro intercalado
                                        ao ódio

a preparação da derrota serve
migalhas deixadas no chão
                     do labirinto como pista

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

ERRAR

ao erro
afeito
o negado
afeto

ao erro afastado
correções indevidas

ao erro conduzido
a sinalização no obstáculo

ao erro atravessado
a aventura em ultrapassagens

ao erro
desfeito
o afago
adicionado

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 6 de junho de 2015

MELANCOLIA

a lógica
atravessa o espaço
e se derrama
em chamas
desproporcionais
na racionalidade (exacerbada)
com que a ordem
se responsabiliza
pela euforia tomada
ao homem modernizado

o contexto reflete táticas negociais
e o cientista vende remédios
com que o atleta supera seus limites
para pessoas assistirem embevecidas
irrealidades apassivadas

a mágica destrói o mito
na alteração do rito alternado
das salvaguardas em que nos safamos
na continuidade melancólica dos fatos

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

TriploV Blog

Viver, em:
https://triplovblog.wordpress.com/2015/06/04/poema-viver/

COMPETIÇÕES

Ao vencedor dedicam hinos
de reconhecimento: os demais
aguardam a próxima competição

ao paciente escorrem horas de assistência
em que busca resistência e renovação
em luzes (sendo) apagadas

ao candidato ao título
oferecem pugnas emblemáticas
em fenecidos sonhos na regularidade
ultrapassada dos limites ordenados

ao oportunista a hora é de decisões
no se infiltrar em defesas carismáticas
de hordas inimigas acostumadas
em combates inerentes ao perigo

ao vencedor restam ecos das lembranças
em que derrotas são esquecidas rapidamente
pelo ofertado à glória efêmera

ao consciente cabem ofertas inigualáveis
no recuo de virtudes ao descalabro
no transformar corpos em máquinas
exógenas à raça humana

ao atrasado sobra lembrar
o instante da partida onde todos
se alinham na mesma hora

a agonia se apresenta na fatalidade
em que pontos são convertidos
em negações e lágrimas

ao aparente luzes são únicas
validades no estar em faixas
abertas ao mundo no representar
motivos para se dizer aparente
e ausente no tempo decorrido
entre partidas e chegadas

ao vencedor agradecimentos
em vozes embargadas na crença futura
do resolvido e atenuado na chegada

as travessuras infantis no uniforme
envergado com orgulho por ser a certeza
veloz no passo da vontade apontada

ao transeunte tanto faz ir ou ficar
junto ao sinal luminoso na determinação
do passo dos atrasos e das encostas

ao amaldiçoado apurado em química
irrealista das instâncias dos pecados
a repetição do material coletado aprova
e aponta a direção errônea dos entraves

as coerções pelo corpo desenvolvidas
calculam a obtenção do máximo rendimento
na destruição de trastes desaproveitados

ao vencedor dizem da frieza compulsiva
a nortear olhos fixados em fitas de chegada
em pesos e piruetas a que se obrigam
corpos castigados

ao amainado espírito sobram passeios
entre jogos e o olhar onde repousa
a moça inerte em resultados

a efetividade recomposta ao voltar
para casa: medalhas em altares
recobertos de fotografias e cartazes

ao carregador cabe usufruir
uniformes velhos e rasgados
e dar fim aos sapatos no limite
dos desgastes das passadas

ao perdedor repetições indicam
a necessidade de se sentir integrante
da homenagem ao desfilar em carro
aberto por avenidas isentas
de responsabilidades e prazeres

ao vencedor residem dúvidas em continuar
na pugna ao retornar à realidade na incerteza
de quando mostram a hora do reconhecimento
e da renovação do contrato.

(Pedro Du Bois, inédito)