sexta-feira, 31 de outubro de 2014

QUASE


não posso perder a hora
como perdi as de antes
no instante dos entrechoques

presente ao que for preciso
na imprecisão dos olhos o fogo
consome o estame da flor
depositada em homenagem

a primeira hora de todas as próximas
em passos cadenciados de soturnos
tacos em ecos de movimentos parcos

o olhar acompanha a cena
em que o minotauro guarda
a entrada em perdidas horas.

(Pedro Du Bois)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CORPO

O corpo atrai o olhar
congestionado
em peles
pelos
prós e contras
dispostos
antepostos
no artístico gesto
de quem se esconde
no que mostra

demonstrado corpo
recolhido em traços
nervosos sobre a tela
que a tinta cobre.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Projeto Passo Fundo

Parar, em:
http://www.projetopassofundo.com.br/principal.php?modulo=texto&con_codigo=51476&tipo=texto

Poetas del Mundo

Poetas Siglo XXI - Editor: Fernando Sabido Sánches
Diversos poemas, em:
http://poetassigloveintiuno.blogspot.com.br/2014/09/pedro-du-bois-13150.html

TÁTICAS

desminta o minuto de reconhecimento
em que a estátua seduz a pedra na história
 recolhida em bloco retransmitido no pó
das estradas percorridas. desmonte
estratégias viciadas em medos
atravancados em passagens
na proibição de que os olhos
saibam a referência do trajeto.
desconte o pagamento antecipado
e recolha as moedas no desprezo
das mãos que as têm quentes metais.
desampare o menino ante as horas
decorridas em castigos. punições
não se coadunam nos sentimentos
de falsos argumentos em desculpas.
desminta o texto no recolher ao leito
a luz. Desmonte o canto na surdez
ignorada no choro. tudo é consciente.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 25 de outubro de 2014

FOGO

em:
http://www.leonardosodre.com/2014/10/fogo.htm


e:
http://extremozpressrn.blogspot.com.br/2014/10/fogo.html

LIÇÃO

Lição aprendida: não há ilusões perdidas
nos ofícios regulamentares. A preguiça é antônimo
da delicadeza com que braços giram em ataque.
Sofre o desprazer de despersonalizar o longe
e a ausência invade espaços. Pontos brancos
nas histórias não esclarecidas. O incômodo corpo
despejado em lençóis limpos: respira o que lhe resta
                                - é pouco -
e a noite alonga o atravessar vadio dos inocentes.
A resposta se abrevia em fúria na raiva transposta
ao extremo da maldade. Não há lições a serem feitas
em casa. Exercícios nas horas inexatas das entregas
são refregas e lutas incalculáveis. Paragens
                                               passagens
oportunidades descalças sobre a grama
não proíbem os passos: evitam o encontro
entre a realidade e a ilusão (passada).
Sonhos terminam no momento certo.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

QUESTÕES

Coloco a questão de outra forma
livre do doce cozendo no forno quente

respostas expostas em praças
de casais transeuntes em abraços
no ranço do tempo solidificado
em inúmeras passagens

questões respondem as primeiras dúvidas
e as multiplicam em olhares desconfiados

respostas codificadas no doce
da forma retirado em pedaços.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

ALTERNATIVAS

Reduzo no esforço
o ar na inspiração
do espaço

abismo cavado
no encontro (forçado)
de dias ininterruptos

revejo no fato
outros ângulos
ao revirar o objeto
em suas faces

no espaço inconcluso do girar efêmero
do desgosto em pés desencontrados
e inconsistentes da negação primeira

reconduzo o certo ao inominado lugar
de descanso
       e esquecimento.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 19 de outubro de 2014

Modus vivendi

Fogo, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2014/10/fogo_1

VISÕES

Visão: corpo estendido no abandono da cena
em velhas e ingênuas palavras de descrição. Hoje
o anormal se resume em poucos sons. Tom
menor da sensualidade avassalada no corpo nu
sob a lâmpada de cabeceira. Urge recuperar
a falsa impressão da nostalgia em restos
decompostos das magias anteriores. Visão:
beijo depositado no possível a ser entregue.
Mínimo esforço concedido ao começo.
Alvoroço dos acenos em laços desaparecidos.
Água entornada - lágrimas não derramadas -
em gotas e gotículas no ar úmido da madrugada.
Visão: incerto tempo ancestral em cada lugar
de origem. Corpos fundidos em recomeço.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Estudo Geral

Poemas que se encontram,
Espelhar, em:
http://luis-eg.blogspot.com.br/2014/10/poemas-que-se-encontram.html

RELACIONAMENTO

no revoltado
           engano
        engodo
visigodos transversos
resistem em barbarismos

na frias páginas
isoladas do contexto
                    contato
                     contagem
cartagenas de piratas
em lutas desiguais

inconteste hora refeita
em vagas lembranças
de mares navegados
              namorados
             noivos
              casados

na expectativa o repetir
reavalia o que os visigodos
não chegaram a pensar.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

QUENTE

a água quente
revestida em borracha
aquece o corpo
por instantes

o tempo derramado
em alegria passageira
prenuncia horas frias

o gelo conserva a vida
na temporalidade do medo

requentadas memórias
se refazem na apropriação
da velhice em lágrimas.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 11 de outubro de 2014

CÍRCULO

Restrito ao círculo
circula inocências
em busca de ângulos
               inexistentes

o ângulo em novos caminhos
de retornos sobre passos
               percorridos

a ausência é mesmice
              na repetição

motociclistas desviam-se
no globo da morte: a morte
                  circunda a todos.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

AMANHECER

Vejo no amanhecer a mudança
em bilionários anos passados: essência
do tempo necessário à permanência

o amanhecer no rastro da passagem
titubeante O restante repete o início
das horas em desconfiança e alternância

amores percebidos nas entregas
antecipadas do encontro

amanhecer: o sol nascente
sabe que em outro lugar
              distante
              e perto
              o tempo flui
              da mesma forma

não na mesma hora.

(Pedro Du Bois, inédito)


 






terça-feira, 7 de outubro de 2014

Leonardo Sodré

A Direção do Vento, em:
http://www.leonardosodre.com/2014/10/a-direcao-do-vento.html

PODER

como posso me arvorar a dizer
sobre o tempo
            a cidade da infância
            as infâmias em cada erro
no destino infrutífero (a prorrogação da pena)

apenas árvores derrubadas em campos de pastagens

             o incrédulo atravessa
a praça e na igreja
                  - nas igrejas -
                    rende honra
                    e glória ao corpo depositado
em rezas choros e velas
                    chorumelas dizem as comadres
                                            (entre elas)
                    no receio do antes retornar
e ondas invadirem barcos sobre a praia

verdade sobredita ao bendito seja
                            aos arroubos juvenis
                            ora terminados

o não dito na competência da hora irrealizada.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 5 de outubro de 2014

meio tom poesia&prosa

A Direção do Vento, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo14direcao.htm

Ares e Mares

A Direção do Vento, em:
http://www.aresemares.com/index.php/materias-especiais/a-direcao-do-vento-por-pedro-du-bois/

VISÃO

Aos olhos cabe amortecer
os sentidos
         embotar sentidos
         nos fazer desconhecidos
                  em sentidos
                             verdadeiros

olhos enganam visões
realistas
     resfriam sonhos
     na sedução pelas cores

artimanhas
em que nos perdemos
no entrevisto destino.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Revista Cerrado Cultural

Paixão, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com.br/2014/10/paixao.html

Ir, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com.br/2014/10/ir.html

Heróis, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com.br/2014/10/herois.html

HISTÓRIA

                  Sabe do passado
           inteirado do segmento
     radicalizado em tormentos
          imaginados no segredo
 da insinceridade generalizada

                              sabe do presente
           ausente nos fatos e repetições
      inócuas com que são alimentados
               ódios e corações dementes
desinformadas em vazios sentimentos

                                     sabe do futuro
fruto consubstanciado na inexoralidade
      dos agentes nos votos depositados
       em urnas entreabertas de vaidades.

(Pedro Du Bois, inédito)