quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PROMESSAS

A voz ressoa cantos
dos discursos pronunciados
entre a realidade e os sonhos

promessas

o significado estendido
ao passante que o leva
para outras passagens

rasga o envelope
                  e lê o texto:
         o convite entre linhas
em branco fica a cobrança
do tempo passado

promessas

a voz cala o significado antigo
das conversas enquanto jovens
na permissão de sonhar palavras

joga fora o papel: ecos abalroam
a vida conseguida.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

domingo, 27 de outubro de 2013

EFÍGIE

o sentido
       do corpo perdido
no olhar em frente
fosse batalha

a corredeira que vira os barcos
 com passageiros em espasmos
 de gozo e medo

o direito
       de não ir embora

beber a água no sustento
que a terra não eterniza

sentido corpo
(escopo)
       na batida do martelo

     ossos cravejados
     de articulações
     em que a proposta
                             (tensa)
                             é dorso
da amarga efígie
em que se aconselham.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

TORMENTO

Ávido tormento
na hora perdida
entre notas

chapéu oferecido
na coleta com que sobrevive
o mendigo que pede auxílio
e ajuda em moedas

a tormenta castiga
a verdade exposta
em cada poça d'água
apodrecida em detritos

chapéu abanado
em despedida estéril
de amores que retornam
em invernos.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

CONVIVER

O tratado diz ser impossível
remediar espaços desacompanhados
em olhos quase cerrados em lentes
de primeiros graus ou mais
ao menos faz completa
a nota inconclusa no repensar
os danos imateriais trocados
pela fé em crenças e pesadelos
de antes e depois no acordar
os seres que o assinam em risos

esses
    sim

reconhecíveis em autenticações
de ressalvas e ressabiados ofícios
na oficialidade bilateral.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 20 de outubro de 2013

Ares e Mares

Faca, em:
http://www.aresemares.com/index.php/materias-especiais/faca-de-pedro-du-bois/

CHAVES

Chaves abrem portas
dispostas em arcos de armários
e estantes habituados
a guardar vidas e recados

pecados escondidos em bilhetes
a fotografia na demonstrada imagem
o calor do corpo no contato

chaves desdobram fechaduras
passadas em irreconhecíveis espelhos

recatos guardados em essência
infância resguardada ante a infâmia
orvalho ressacado sobre a grama

chaves têm a função funesta
do exercício da crítica
                       e da verdade.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Letras et cetera

Prolongar, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2013/10/prolongar.html

Vale em Versos

Assassino, em:
 http://valeemversos.blogspot.com.br/2013/10/assassino.html

PRESA

A serpente
          sobre a pedra
          olha o espaço
                  entre presas

a presa escapa
tal semente sob a terra
que escarpa o morro

a serpente sabe no começo
                           o caminho
              aberto: em frente
desponta o vértice
do cálculo

                 azíago gesto
em que o tresloucado ser
se encontra: passado entre pedras
sente o calor iluminando o sangue
                                 que congela

a pedra aprisionada (estátua)
em medos recebe o torque
                             no torpe
encontro em que gesticula a morte.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Meio tom

Seres, em:
http://www.meiotom.art.br/dupo13seres.htm

Projeto Passo Fundo

Faca, em:
http://www.projetopassofundo.com.br/principal.php?modulo=texto&con_codigo=47110&tipo=texto&cat_codigo=18

TUDA - papel eletrônico

Você, em:
http://tuda-papeleletronico.blogspot.com.br/2013/10/poesia-pedro-du-bois.html

SONHOS

Apenas os sonhos
             maiores que a realidade
             na janela encortinada
             pelo barulho da água
                     de ermo passado

rua estreita em calçadas empedradas
de músicas ruins em cidades mudas
nas rarefeitas imagens escolhidas

esperas e espinhais
tramas e urdiduras
tremas e circunflexos

                    a repetição da música
                    em mesmos cantos

não os sonhos diante do agora
apropriado em redondilhas
                  e o que mais fizer
                            em imitações

(destina o óbolo à mão
 que acena ao barqueiro
 e tem o transporte).

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Modus vivendi

Faca, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2013/10/faca

FORJAR

Bato o ferro
               (quente)
enformo
 informo
     o elemento

a forma
e a têmpera
desejada

     a forja
     o fole

o cheiro
       e o calor
       com que
                 (ferreiro)
sei do começo

a lâmina afiada
o fio da lâmina
a fiação que sustenta
                     a guarda.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 13 de outubro de 2013

CARTÕES

Onde estão os cartões
                         antigos
de estampadas cidades
transformadas em selos
apreciados por colecionadores

letras em dedicatórias
viagens
         para lugares inalcançáveis
         histórias e notícias
                        amarelecidas

lembranças recuperadas
em tesouros inatingíveis

a certeza de que o tempo
nos envelhece em vida.

(Pedro Du Bois, inédito)

Leonardo Sodré

Seres, em:
http://www.leonardosodre.com/2013/10/seres.html

terça-feira, 8 de outubro de 2013

ÚTEIS

Enquanto útil
               fútil tarefa

o trabalho dignifica
espíritos embuídos
dos melhores propósitos
e os pais se fazem em festas
de final de ano

fútil tarefa no desconhecimento
de sermos criados no melhor dos mundos
transmudados em pesadelos não psicodélicos

a última canção daqueles anos
                                    de tolos
                                    sentidos.

(Pedro Du Bois, inédito)

Almanaque do Vale - Jornal de Santa Catarina

Você, em:
http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,183,4293493,22911

domingo, 6 de outubro de 2013

Leonardo Sodré

Você, em:
http://www.leonardosodre.com/2013/10/voce.html

CONSOLO E RAIVA

Tem em mim o consolo
e a raiva por perder seu tempo
em calmarias.

Quer o barulho no movimento
dos moinhos ante a tempestade.
O galo de prata rodopiando
no cinza escuro do horizonte.
A batida do sino em palavras
de quem quer ir embora.

Nos dias cinzentos de inverno
na sempiterna maneira de espiar
e entender o tempo
que não passa pela janela
em que o vidro permite a vista.

A visão atrapalha o consolo na raiva
do que identifica como seu e são meus
os retratos nas paredes de portas cerradas.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

VOCÊ

Rasgo a página não inscrita que da perda
não ficará registros
                   do passado lavado
em passos imundos
                 de soberbos ataques
na chuva miúda
                 intermitente
                 sobre guarda-chuvas
abertos em proteção
                 e escudo: raios e trovões
não acontecidos na sequência
                                   do desencontro

sim
você estava ali
         seu perfume permanece
sobre o cheiro dos temperos e alguém cita
seu nome
             e me volto em incertezas

página rasgada do que não escrevi no dia
que seria da chegada e não houve o tempo
seco das histórias de memórias difundidas
              lendas sacramentadas em perdões e profecias

a chuva miúda aos poucos alaga a rua
em descaminhos
            como os fins e os meios
repetidos em sangue não doado

sim
você esteve lá
         seu perfume oferta
temperados pratos
insossos para sempre.

(Pedro Du Bois, inédito)

Vale em versos

Perdas e Ganhos, em:
http://valeemversos.blogspot.com.br/2013/10/perdas-e-ganhos.html

Letras et cetera

Chorar, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2013/10/chorar.html

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SABER

Saiba do inacessível
em que a mesa
posta
nos recebe
em fome
e sede

secas mãos
de ásperas peles
secos pães
de ásperas crostas
secas mães
em ásperas esperas

reconheça o sentido
com que a janela
aberta
nos recebe
em visões
e cortinas

úmidos olhos
em desaguado
passado.

(Pedro Du Bois, inédito)

Literatura sem fronteiras

Iguais, entre outros, em:
http://literaturasemfronteiras.blogspot.com.br/2013/10/eu-sou-som-sou-sons-nilto-maciel.html