segunda-feira, 30 de setembro de 2013

LUZES

No canto da sala
contra o escuro ambiente
o abajur precisa
              do soquete
              da lâmpada
              do capuz
              da tomada energizada
           e da mão que lhe acende
           a luz

no canto o abajur
escuro objeto
contra a paisagem
permanece como sempre
                                   foi.

(Pedro Du Bois, inédito)

Literatura sem fronteiras

Receios, em:
http://literaturasemfronteiras.blogspot.com.br/2013/09/receios-pedro-du-bois.html

sábado, 28 de setembro de 2013

HOMENAGEM

Sou a homenagem
emprestada
de seus olhos

boca entreaberta
no encontro dos lábios

dentes
cerrados

homenageio o encontro
do tempo perdido
no pálido sorriso
de adeus

nomes revolvidos
na repetição
das horas

o esquecimento forçado
no carro avançado
em estradas curvas
de passagem

sou a homenagem
em que sua vida
se reencontra
em novos
desencontros

e o final da noite
pálido
espelha o cais.

(Pedro Du Bois, inédito)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

FAZERES

Faça as contas
        da ponta
        ao cabo
        e ao meio

o corpo recebe o pano
e seco
      reaparece

detalhes consagram
o verso
        no anverso
             anota
             o recado

traçado
          o tempo
                   dissimula

o fazer de conta
esboroa
          e esfumaça.

(Pedro Du Bois, inédito)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

APENAS

De tantas noites
são feitos os copos
antes que o coração
saiba a razão
do assunto
que lhe tolhe
o gole

resta no corpo
o choro
com que o copo
se revela

apenas o segundo disco
de músicas calmas
a se repetir
na memória.

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vale em Versos e Letras et cetera

Infelicitar, em:
http://valeemversos.blogspot.com.br/2013/09/infelicitar.html

Tarde, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2013/09/tarde.html

ILUSÃO

A ilusão com que vamos ao final
da rua e pensamos seguir adiante
sumindo o corpo nas últimas luzes
dos carros que passam em busca
de abrigo dos seus desatinos

não são nossos trajetos
nem nossos olhos
sobre a estrada
em reconhecimento

a ilusão transforma as luzes
em realidades distintas
onde nos perdemos
na perseguição
ao nada

na última claridade o desenlace
forma e substância do que vai embora
e se perde de nós em luzes de passagem

a ilusão é chama com que iluminamos
o futuro da memória: repousamos
fossêmos o achado naquela hora.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PALAVRAS

Somos palavras conhecidas
que não
          mais
              nos assustam

        traduzidas
              implodem fortalezas
             explodem sentimentos
           interferem

      verbos inconclusos de sujeitos
     temos complementos desagiados
   no que gostamos: adjetivamos párias
desterrados em ilhas desiguais

   novas palavras não são bem recebidas
e o somos se recolhe em preces: orvalho
que amanhece sobre a relva retrazido
no frio úmido da noite

                  na superfície resumida
            apresentam complexidades
            escondem vaidades
                                  envelhecemos.

(Pedro Du Bois, inédito)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

FECHAMENTO

Fechado em si
pensa o passado

        remói
tritura

a aventura assusta
no piscar dos olhos
a novidade assume
as feições do diabo

     o abrir os olhos
     não permite a cena

o dilúvio jorra
sobre sua mente

é cofre fechado
            vazio de tesouros
no armário vazio
fechado em mantimentos
no envelope lacrado
no que não recebe

        a vida em si
fechada concha.

(Pedro Du Bois, inédito)

sábado, 14 de setembro de 2013

FRIO

Não mais nos encontramos
em fortuitas passagens
de formais cumprimentos
que afastam os amigos
transformados em ex-colegas
e meros conhecidos
sem referências
das implicâncias infantis
desmontadas em trajetos
de repetidas paragens

o cumprimento cessa
no aceno da cabeça
do restante reconhecimento

retornamos ao início de nossas vidas
em que o desconhecido era próximo
ao alcance das mãos e dos olhos

no obituário reconhecemos o nome
e nos supreendemos com a frieza
da vida ao nosso redor.

(Pedro Du Bois, inédito)


Modus vivendi

Ter, em:
http://amata.anaroque.com/arquivo/2013/09/ter_1

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ares e Mares

Vão, em:
http://www.aresemares.com/index.php/materias-especiais/vao-poema-de-pedro-du-bois/

SERES

lançam as redes ao mar de peixes silenciosos
                                                   submersos
não esperam completar o instante em que os resultados
afloram e flores recorrem aos segredos para se manterem
intactas entre as que se desfolham
nas cercanias dos perigos que rondam os barcos

são as sereias míticas figuras
                                   (ou) apenas pobres mulheres
em suas metades refugiadas em pedras
                                                  rochedos
                                                        atóis
e muros altos separam vidas e mortes

        lindas em trajetórias
circulares de longelíneas formas e cabelos
claros (ou) escuros e de vozes - sim
                                                     as vozes -
clamam aos céus as nuvens necessárias
a escurecer o ambiente e tornar as redes
enfadonhas peças de artesanato

lançadas ao mar sucumbem distâncias nos nós
que enredam os seres que por elas passam
                      em lances de ir
                                         e vir
                                         e circular
                                         na busca de alimentos
e na fuga dos predadores: pedras circundam ambientes
e as areias ao longe são meras paisagens inacessíveis
àqueles das profundezas e (mesmo) ao canto das sereias

águas onde habitam os envolvidos e deuses
não se apresentam donos ou arrendatários
de pequenos pedaços do espaço por onde
circulam botes e motores despejam
as sobras do óleo
                e marinheiros atiram sobras de comida
                e restos de cigarros: sereias não cantam
para os que sujam os mares

não sabem do progresso
               e da progressão das redes
                                         dos sonares
que identificam os cardumes e calam os cantos
e deixam rastro de desgraças onde pássaros ávidos
                                         - bicos cortantes - arrasam
as sobras de onde retiram suas vidas e voos: circundam
os barcos em esganiçadas vozes a dizer
aos pescadores que aquém e além há peixes submersos
e que são muitos os cardumes que (aqui) habitam
                                                 quietos sob as águas

retiram as redes e águas voltam à quietude
                                       no silêncio dos peixes
que retornam suas vidas em que se espalham
e se multiplicam
e se alimentam
              junto com as aves que rapinam
              restos dos peixes mortos
                                          esquartejados
                                          e limpos
na profusão dos mares onde capturados

recriam cantos e sereias repetem refrões decantados
de novos perigos
                        do desconhecido e trazem
suas cabeleiras aos ventos que levam os barcos
até as pedras que não são mostradas
por debaixo dos seus corpos

                            nem as nuvens toldam os céus
em estradas pedregosas e arriscadas nas subidas
nas curvas
              e na chegada
por ondem passam embarcações em movediças
águas elevadas em ondas

gélidos porões e geladas vozes na passagem
de pássaros que não gritam: calados
acompanham (de longe) o toque
                                     a trava
                                   a tentativa vã da curva
deslizada em águas que arremetem sobre os barcos
e os cobrem
 e os lavam
 e os levam ao fundo: passam pelos peixes
que acompanham a descida e penetram seus cascos
rachados
       e destruídos

marinheiros agitam os braços
e tossem o que lhes seda o espírito
na respiração ofegante ouvida ao longe

peixes esquartejados em geladeiras ambulantes
jogadas na água no estouro das portas
e carnes devoradas por seres vivos
no que sobe à superfície e faz a algazarra
das aves retornadas em coros das canções
singelas e ultrapassadas das sereias

poucos corpos encontrados no mar
                                         e na terra
                       deformados pela água
e pelos seres vivos que os acompanham

golfinhos ausentes
e as sereias não são avistadas: sobre
as pedras semicobertas pela água
repousam pássaros
                   (saciados)

(Pedro Du Bois, inédito)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

VIVOS

A inclinação
permite a vida

na mudança
estratificada
e na ordem
onde o caos
era desordem

ora pendemos
ao lado
de luzes poucas

ora pendemos
ao lado
de luzes tantas

tontos não percebemos
a vaidade ao nos dizermos
                                       vida.

(Pedro Du Bois, inédito)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

LÚDICO

Instantes
são bastantes
na luta
na visão
na desobstrução
                  da imagem

o passado
translúcido
        lúdico
    (mentirosamente lúdico)
    nega a cartada
    em que os pontos
                              somados
                       nos devolvem
                       a história
                       oficial.

(Pedro Du Bois, inédito)

domingo, 1 de setembro de 2013

Revista Cerrado Cultural

O Senhor das Estátuas (por Márcio Almeida), em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com.br/2013/09/o-senhor-das-estatuas-de-pedro-du-bois.html

Revista Cerrado Cultural

Arcabouço, em:
http://revistacerradocultural.blogspot.com.br/2013/09/arcabouco.html

2 outros poemas


Única Testemunha, em:
http://valeemversos.blogspot.com.br/2013/09/unica-testemunha.html

Memória, em:
http://nanquin.blogspot.com.br/2013/09/memoria.html

A LEVEZA DO TRAÇO

Quantos momentos
fazemos contar em único
quadro emoldurado
dependurado na parede
(caminho aberto ao outro lado)?

Mágico lado contido no quadro
com que extasiamos o sentido
na profundidade do momento.

No barulho do prego
a realidade volta à sala
enquanto dependuro o quadro.

(Pedro Du Bois, em A LEVEZA DO TRAÇO, 2005)