terça-feira, 27 de abril de 2010

A ÁRVORE PELA RAIZ

Forte
ao solo
imersa
hidropônica
ao vento
relata o sentido
do verde
fotossíntese:
calor queimado
na rede armada
à outra ponta.


(Pedro Du Bois, A ÁRVORE PELA RAÍZ, 1)

domingo, 25 de abril de 2010

APENAS

Apenas uma vez
falei dormindo
menti

apenas uma vez
caminhei dormindo
caí

apenas uma vez
sonhei planos futuros
acordei.


(Pedro Du Bois, PASSAGEM PLURAL)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

AMADA

Suaves acordes
como a nossa convivência:
escrevo, interrompe-me.
Beijo-te com paixão.

A música ao fundo
complementa
o ato de amar.

Cansados na viagem
árdua: nosso caminho
é destino comum.

Boca a boca
olhos nos olhos
mãos entrelaçadas.

Suave balada
e passos lentos.

Dançar
com a mulher
amada: conviver.


(Pedro Du Bois, OS SENTIDOS SIGNIFICANTES)

terça-feira, 20 de abril de 2010

ÚLTIMO

O homem na defesa
da última linha
antes do fracasso
assume a responsabilidade
e oferece sua vida
diária
para evitar o progresso
a entrada
o assalto
a conclusão do ataque
com que se lançam
sobre a cidadela
e despejam
suas forças
suas raivas
suas frustrações diárias.

(Pedro Du Bois, ESPAÇOS DESOCUPADOS)

domingo, 18 de abril de 2010

LIBERDADE

Olha: por momentos
sente a liberdade
passageira

espia o mundo: vê
imagens em sonhos

entende o sentido
da liberdade

sabe quanto custa realizar
a vida sonhada
em cada instante.

(Pedro Du Bois, LIBERDADE (Elas), 1)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O QUE DEVE SER FEITO

...
visões irrepreensíveis
de cabeças abertas
aos sensores decorridos
das espionagens
e dos prêmios ofertados

o andamento do objeto
identificado aos que ficam
sobre terras enxutas
e nada é popupado
aos sofrimentos mantidos
na coragem das perguntas

o fazer não pode idiotizar
as relações irresponsáveis
dos lazeres descritos
em prazeres baratos

rasgada a roupa assoma
o corpo mentiroso das torturas
arrancando a pele por onde
passam unhas avassaladoras
...

(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. I, fragmento)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

PARTIDAS

Não senti saudades
quando mudamos
de casa na mesma cidade
era muito criança

não me importei
quando fui embora à trabalho
para outra cidade
era muito jovem

não pensei em ficar
quando fui transferido
pela primeira vez
(minha mulher foi junto)
era o progresso

não tive porque ficar
após a carreira
quando voltei com minha família
era o regresso

não me preocuparei
quando tiver que partir
concluindo o ciclo
cedo ou tarde

serei a lembrança.

(Pedro Du Bois, REENCAMINHADO)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

CICLO UM

No final do dia
retorna

(quando a chuva permite
o passo rápido)

a casa espera
a sua chegada

humilde quem chega
humilde quem espera

o dia finda no retorno
da configuração do ciclo
na certeza da repetição
do próximo dia.

(Pedro Du Bois, PORTAS E VENTOS)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

JOGOS

Todos os jogos
vitórias
vencedores
ganhadores

todos os jogos deixam no ar
a superioridade
comprovada

conhecimento
força
habilidade
sorte

todos os jogos
derrotas
vencidos
perdedores

quem faz da vida
a busca do sucesso.

(Pedro Du Bois, O MOVIMENTO DAS PALAVRAS)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

1º ATO

Amenizo o calor instalado em ondas
indesejáveis ao frêmito dos corpos
abandonados. Espero acompanhar
o espírito entre mentes caprichosas.

Desnudar a água
e o fogo: elementos
trazidos ao acompanhamento.

(Pedro Du Bois, A OBRA NUA, 1º Ato, 1)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

NÚMEROS RECONTADOS

Vinte anos recém transcorridos
dúvidas sobre sair de casa
apoio integral dos pais

vinte anos longamente percorridos
nenhuma dúvida sobre a vida
nem sabe quem são seus pais

vinte anos loucamente exercidos
sem dúvidas na maior parte
não compartilhadas com seus pais

vinte anos finais acontecidos
na dúvida de a sensação existente
suprir a vida agitada dos seus pais.

(Pedro Du Bois, NÚMEROS RECONTADOS)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

TÂNIA

Tens a intensidade do linho
áspero e cru
seda entre os dedos
voz com que falas tua vida
olhos sobre todos nós

espírito inquieto
de quietude e paz

tens a intensidade do amor
colocado acima
do que o corpo pede
em paixão

és intensa como pensas a vida
a morte não te faz medo
cristã de arrependidos pecadores

tua vida é intensa e não há pecado
em tuas mãos.

(Pedro Du Bois, LIVRO DA TÂNIA)